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22 de abril de 2026
A cada ano aumenta vozes históricas contra o mito de Tiradentes.

Tiradentes, um Jesus republicano para demonizar a Coroa

Nem D. Pedro com o Grito do Ipiranga é maior que o mito republicano Tiradentes, herói divinizado pela inteligência paralela de 1890, quase um século após as ocorrências em Minas Gerais.

Se o imperador da Independência é mero pecador diante do consagrado messias republicano, outro português de altíssima patente histórica é igualmente expulso do panteão brasileiro por também ser português – um dia após o feriado de Tiradentes, dá-se o Dia do Descobrimento do Brasil, data que passa batido.

Trocando em miúdos, com a República o Brasil procurava por símbolos nacionais e não encontrava nada. A extrema direita se coçava por uma versão histórica que tirasse os heróis lusitanos do trono. Sim, o caso de Minas Gerais era o grande processo judicial do século e os republicanos viram nisso o fio da meada. Por que? Porque era um processo direto envolvendo Brasil x Portugal.

Mas nada de nacionalista foi encontrado nos autos, o que salvou a pátria republicana foi o alto grau de crueldade da pena capital. Esse juízo final português seria, então, o ponto de partida para o levante político em prol de um Brasil mártir: tendo a Coroa como vilã, o passo seguinte seria cristificar o tal mineiro enforcado.

Com pincelada artística e glosa histórica, um cenário inconfidente seria construído a partir do objeto de desejo da República – encontrar um herói brazuca. Hoje é feriado em honra ao enforcado, mesmo não havendo provas periciais que o condenado teria mesmo sido Tiradentes.

A história paralela que descontrói o mito Tiradentes cresce a cada ano.