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19/06/2019
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SELEÇÃO: agora é Ederson, mas Osasco teve Zé Carlos 20 anos atrás

Num espaço de 20 anos a diferença está na certidão de nascimento – um é natural de Osasco, outro nasceu em Presidente Bernardes. Em contrapartida, esse um que é o goleiro Ederson, deixou o Brasil quando tinha 15 anos,  hoje tem cidadania portuguesa e vai para a Copa do Mundo da Rússia como jogador do inglês Manchester City.

O outro é o lateral Zé Carlos e que morava em Osasco quando foi convocado para a Copa de 1998. O jogador curtia muito a cidade, era amigos dos boleiros locais e não dispensava um rachão quando tinha tempo.

Ele até abriu um projeto de futebol social em Osasco, mas não demorou muito para levar esse trabalho para Presidente Prudente em 2012.

Teve uma ascensão até que veloz no futebol, mas emplacou mesmo quando foi campeão da série A2 com a Matonense, pois logo receberia ligação do técnico Dario Pereyra para conversa no Morumbi.

No São Paulo e na temporada seguinte, lá estava Zé Carlos festejando o título paulista, pódio que o levaria à seleção vice-campeã na França.

Em 1998 o técnico da seleção era Zagallo e a convocação o pegou de surpresa mesmo. Era final de temporada e ele só pensava nas férias e também no casamento que estava marcadíssimo.

Dario Pereyra comandava um recreativo no CT da Barra Funda quando alguém surgiu gritando a convocação de Zé Carlos. Os colegas fizeram aquela festa com o lateral que seguiria para formar a camisa amarela com Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos etc..

Na França, eis o Brasil tomando sufoco para fazer 3 a 2 na Dinamarca e avançar às semifinais. Alívio e festa à parte, o técnico Zagallo tinha uma baixa importante – o lateral Cafu tomara o segundo amarelo e, portanto, suspensão.

E foi assim que Zé Carlos teve a oportunidade de entrar em campo na Copa do Mundo, semifinal contra a Holanda em 7 de julho de 98. Outro jogo sofrido e que terminou empatado por 1 a 1, mas com o Brasil se classificando à final via penalidades, 4 a 2.

Ainda sobre o dia da convocação, depois de festejar com os colegas no CT do Tricolor, Zé Carlos voltou rapidinho para casa onde familiares e amigos de Osasco o aguardavam para aquela festa.

Zé Carlos é José Carlos de Almeida, natural de Presidente Bernardes em 14 de novembro de 1968. O início de carreira foi no São José em 1990, passando por Nacional da Barra Funda, São Caetano, Portuguesa, União São João de Araras e Juventude de Caxias do Sul.

Deixando o futebol gaúcho em 1996 ele viu-se desempregado, literalmente na rua da amargura e aos 28 anos. Passou uns meses no sufoco até ser contratado pela Matonense no início de 1997, indo então para a série A2 do Campeonato Paulista.

Como já foi dito, temporada de sucesso em Matão com a equipe campeã da A2 – e no semestre seguinte ele já estava com a camisa do São Paulo para ser campeão paulista em 98.

E como ele chegou à seleção? Cafu era o titular absoluto na lateral direita e Flávio Conceição estava como reserva e se lesionou num treino, sendo cortado pelo técnico Zagallo. Foi assim que Zé Carlos ouviu o chamado para a Copa do Mundo da França.

 

Contra a Holanda

Missão difícil para o lateral, já que estava sem jogar há meses. Indo para o lugar de Cafu nas semifinais contra a Holanda, Zé Carlos entrou em campo com uma missão direta do treinador: marcar Boudewijn Zenden.

Como estava sem ritmo, claro que o lateral teve muita dificuldade para segurar o atacante pela esquerda. Foi dureza mesmo, só que no início do 2º tempo tem bola brasileira tocada por Rivaldo que capricha para a chegada de Ronaldo – invade a área e manda na saída de Edwin van der Sar.

Mas a Holanda cresceu e cutucava o gol canarinho, forçando o goleiro Taffarel a grandes defesas. E a pressão seguiu até que nos minutos finais o camisa 9 Patrick Kluivert subiu legal para tocar de cabeça e empatar, 1 a 1.

Teve prorrogação que ficou no zero a zero. Na decisão na marca da cal, a classificação foi carimbada nas duas defezaças de Taffarel contra Philip Cocu e Ronald de Boer.

Bem, essa história da seleção é a única na carreira de Zé Carlos. Cafu voltaria para posição e o lateral que morava em Osasco não mais seria convocado.

Na temporada seguinte ele deixou o Morumbi e rumou para o Grêmio onde foi campeão gaúcho e também da Copa Sul. Estava por empréstimo e retornaria para o São Paulo em 2000; depois seguiu para Ponte Preta e Joinville – último título dele, campeão catarinense.

Anos depois, 2005 e no Noroeste de Bauru, o lateral Zé Carlos pendurava as chuteiras. Certo, mas nada de abandonar as quatro linhas, pois frequentemente participava da várzea em Osasco e onde ficou até 2012.

 

A seleção

GOLEIROS
1 Taffarel/Atlético Mineiro
12 Carlos Germano/Vasco da Gama
22 Dida/Cruzeiro

LATERAL DIREITO
2 Cafu/Roma
13 Zé Carlos/São Paulo

LATERAL ESQUERDO
6 Roberto Carlos/Real Madrid
16 Zé Roberto/Flamengo

ZAGUEIROS
4 Júnior Baiano/Flamengo
3 Aldair/Roma
14 Gonçalves/Botafogo
15 André Cruz/Milan

VOLANTES
5 César Sampaio/Yokohama Flügels
8 Dunga/Jubilo Iwata
11 Émerson/Bayer Leverkusen
17 Doriva/Porto

MEIAS
7 Giovanni/Barcelona
10 Rivaldo/Barcelona
18 Leonardo/Milan

ATACANTES
9 Ronaldo/Inter de Milão
19 Denílson/Betis
20 Bebeto/Botafogo
21 Edmundo/Fiorentina