Semana de aniversário, quinta-feira agora a jovem Osasco completa 64 anos. Em seis décadas de progresso, uma gigante em economia que desafia grandes capitais.
E a história está aí para contar os feitos dos emancipadores que desde os anos 50 do século passado, estavam na batalha pela independência de São Paulo. Por fim, em 1962 a então vila paulistana abriria ciclo como novo município.
Mas é claro, há mais história para contar, coisas de dois séculos antes de tudo. Sim, são 200 anos no retrovisor da história oficial, mas que não fazem parte por questões que a própria história não sabe.
Deixando 1962 e seguindo pegadas do passado distante, o que hoje é o Jardim Quitaúna, bairro próximo do centro de Osasco, era uma fazenda gigantesca cujo acesso era selvagem. Nada mais no entorno. O ponto de referência era o rio Tietê que dava às pradaria de São Paulo dos Campos de Piratininga – assim registrado pelos jesuítas em 25 de janeiro de 1554, entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí.
Mas para o aventureiro e bandeirante Antônio Raposo Tavares, orgulhoso por representar a Capitania de São Vicente, o percurso era tipo tirico de espingarda. Ele levava tudo no peito, homem raçudo e com espírito das matas.
De origem judaica, tinha ranços com a Igreja Católica por conta de perseguição religiosa. Naquela época, o mapa da região era cem por cento indígena e o bandeirante tomou conta do ‘Lago de Pedras’ – tradução do tupi-guarani Quitaúna.
Raposo Tavares não se importava com nomes e a fazenda dele seguiu a cultura nativa. Ele pouco ficava por lá, passava meses e meses pelas matas do Brasil em busca de riquezas. Essa era a vida.
O bandeirante não queria saber de nada político, não gostava e não podia se envolver mesmo – tinha o nome na lista negra da igreja; cuidava de Quitaúna sob chancela da Capitania e só. Não pensava em expansão de povoado, não havia nenhum projeto para fundar nada, estava tudo bem daquele jeito.
Estamos em 1658, o que movimenta a colônia são pedras preciosas e força escrava. Antônio Raposo Tavares está com 60 anos e sente o corpo cobrar-lhe saúde. Foram longos anos de descuidos em busca de riqueza, agora sente ter chegado ao limite e morre.
Foi enterrado na fazenda onde hoje é o quartel de Quitaúna. Caso a pá da arqueologia desbravasse por lá, certamente resgataria muito dessa história perdida. E se esse Antônio fosse um empreendedor, um comerciante nato e fizesse da fazenda um marco de expansão econômica? Sim, possivelmente Quitaúna seria hoje reconhecida como berço natal de Osasco.
DOIS ANTÔNIOS
Acontece que 200 anos após o Antônio, português e bandeirante, chegaria outro, um Antonio italiano e industrial. Ao invés de desbravar o mercado em busca de riqueza, ele cuidou de investir o que tinha em terras e mais terras.
Em pouco tempo, Antonio Agù teria um vilarejo aos pés e, mais um pouco, um bairro com economia importante para a riqueza de São Paulo. Ele desembarcou da Itália em 1872, morreria 53 anos antes de Osasco emancipar-se.
Mas o italiano não repousa na terra que semeou, está sepultado no Cemitério da Consolação. Antonio Agù faleceu aos 64 anos e quando São Paulo completava 355 anos em 25 de janeiro de 1909. Osasco tem história oculta no solo de Quitaúna, e quem fez a história oficial de Osasco, não dorme nela.
