RIO GRANDE DO SUL
Nova Bassano
Na última década de 1800, imigrantes italianos marcavam presença cada vez mais importante no Brasil, a partir da região sul. Em 1896 surgia Bassano em homenagem a Bassano Vêneto, hoje Bassano del Grappa, província de Vicenza no norte da Itália.
A cidade espelha fortemente a cultura italiana, tanto que mantém o dialeto talian que é da língua vêneta; mais que isso, o talian é declarado segundo idioma. Nova Bassano tornou-se município em 23 de maio de 1964, tem cerca de 10.100 habitantes.
Nova Pádua
Localizada na Serra Gaúcha, a origem de Nova Pádua acompanha a história da colonização na região e presta homenagem a Pádua na região do Vêneto. A emancipação deu-se em 20 de março de 1992, portanto, apenas 33 anos e com menos de 2.600 habitantes.
Nova Pádua surgiu com sete famílias assentadas, isso em 1886. A cidade tem profunda herança religiosa e também mantém vivo o dialeto talian. Abençoada pela topografia e cenário praticamente europeus, Nova Pádua é conhecida como O Pequeno Paraíso da Itália.
Nova Roma do Sul
Não apenas italianos na região em 1888 – imigrantes russos, poloneses e suecos trabalhavam terras no entorno do Rio das Antas e do Rio da Prata. O diferencial é que nos anos seguintes, a colônia italiana tornar-se-ia majoritária.
Outra diferença está no nome, pois não traz a região do Vêneto mas a própria capital Roma. Passando por todas turbulências até o século XX, em 30 de novembro de 1987, Nova Roma do Sul assinaria como município – cerca de 3.500 habitantes que seguem o legado da cultura italiana.
Monte Belo do Sul
Emancipação política em 20 de março de 1992, cerca de 2.700 habitantes e história que vem de 1870 com imigrantes de Udine, Mantova, Cremona, Veneza, Vicenza, Treviso, Bérgamo, Modena, Beluno.
Uma colônia bem numerosa cuidou das primeiras raízes, 416 famílias. O progresso foi bem rápido, já em 1900 era distrito e como Montebello, homenageando Montebello Vicentino – também região do Vêneto. Depois da II Guerra Mundial, em 1949 adotaria Monte Belo, em 1992 definiria Monte Belo do Sul. Vínculo fortíssimo com a terra de origem, Montebello está contido na rotina da cidade.
SANTA CATARINA
Nova Veneza
Cidade com quase 15.200 habitantes, mais de 90 por cento com descendência italiana. Não é preciso dizer que o nome homenageia a famosa da Europa e que expressa o vínculo não só pela cultura, religião e arte, também pela arquitetura – há casas de pedra desde a fundação da colônia em 1891.
Nova Veneza também mantém vivo o dialeto vêneto, quase todo morador fala italiano fluentemente – idioma está na grade escolar. E destoando do carnaval brasileiro, esse pedaço italiano cai na folia na segunda quinzena de junho – o Carnevale di Venezia.
Nova Trento
O nome aponta para italiana Trento, hoje conta cerca de 13.800 habitantes e a história começa antes da primeira imigração; também não com italianos, mas com ingleses que chegaram via Estados Unidos em 1834.
Onde agora é o centro da cidade, construíram serraria. Quando os primeiros italianos chegaram ao local quatro décadas depois, encontraram ruínas. A região só avançaria a partir de 1881, quando as colônias foram emancipadas. Já em 1892, Nova Trento tornava-se município.
Mantendo toda cultura e legado italiano, a cidade é um dos principais centros de turismo religioso do Brasil – fieis fazem peregrinações porque lá viveu Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
A bandeira de Nova Trento traz as cores da Itália, então é tal qual a bandeira da paulista Osasco que hoje completa 64 anos.
Quanto ao nome, é preciso buscar a história. Trento era do Império Austro-Húngaro (1867-1918) e para mudar o mapa foi preciso muita sangria sobre a região do Vêneto – isso explica a fuga maciça para o Brasil, fuga da fome e da miséria.
Até o final do século XIX, Trento era cidade austríaca – passou pelas barbáries da I Guerra Mundial, depois pela chacina da II Guerra. Nesse cenário, a cidade abrigou forte comando dos partisans italianos na luta contra o facismo.
Com o fim da guerra e também pela presença italiana em Trento, cresceu o movimento por autonomia. Por isso, Nova Trento tem berço 30 anos antes de Trento ser anexada pela Itália.
Treviso
Italianos partindo de Gênova desembarcaram em 1891, imigrantes de Treviso, Bérgamo, Cremona e Ferrara. Logo surgiria Nova Treviso, que em 1926 seria Distrito de Paz de Treviso. Quase 70 anos depois, em 8 de julho de 1995, nascia o município de Treviso, hoje com cerca de 3.600 habitantes.
Treviso também mantém dialeto vêneto e esbanja na gastronomia, arquitetura e folclore; como outras cidades de origem, a Itália está em cada esquina.
GOIÁS
Nova Veneza
Italianos começaram no estado a partir do século passado, a maioria da região do Vêneto – parte ficou em São Paulo, outra parte rumou para Minas Gerais.
As primeiras famílias italianas assinam registro de chegada em 1912 – uma fazenda foi loteada e passou a se chamar Colônia dos Italianos. Com o desenvolvimento esperado, em 1924 surgiria o povoado de Santa Bárbara da Cachoeira; três anos depois, em 12 de maio de 1927, nascia o distrito de Nova Veneza, região de Anápolis.
Por conta da II Guerra, nome alterado para Goianás em 1943; já em 1958 e como Nova Veneza, declarada município. Tem cerca de 10 mil habitantes e o Festival Italiano é o carro-chefe da cultura. Em 2024, Nova Veneza recebeu o título de Capital Italiana de Goiás. Sim, tem o italiano como segunda língua e o idioma é ensinado nas escolas.
SÃO PAULO
Osasco
O nome homenageia Osasco, cidade da Região do Piemonte, província de Turim, nome dado pelo italiano Antonio Agù no final do século XIX. Em 19 de fevereiro de 1962, o então bairro de São Paulo seria elevado a município.
Mas a história é bem mais antiga e com portugueses colonizando a região de Quitaúna na época do Brasil Colônia, século XVII, tendo como fundador o bandeirante Antônio Raposo Tavares.
Quando o italiano Antonio Agù chegou, o Brasil estava sob a República Velha – e chegou comprando terras sobre terras. Depois de construir uma olaria, primeira indústria e que causaria crescimento do povoado no entorno, ele deu passo maior – construção da estação ferroviária em 1895 que se chamaria Osasco, terra natal do fundador.
Mas ao contrário das outras cidades que homenageiam a Itália a partir de colonização legendária, Osasco tem um fundador movido pela máquina do capital – Antonio Agù era empreendedor implacável, nenhum outro interesse.
Sim, a Osasco brasileira mantém laço com a italiana, mas é unicamente protocolar ou basicamente político – tem a bandeira homenageando o país como única âncora. Fora isso, Osasco completa 64 anos de autonomia política seguindo o padrão Antonio Agù de progresso e desenvolvimento, tanto que hoje é um município que compete riqueza com grandes capitais.
