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20/05/2019
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MÚSICA DA HORA: os árabes, a rua dos sacoleiros e o choro de Jacob

Música, medicina, matemática, culinária, arquitetura.. A cultura árabe no Brasil é intensa desde que os primeiros imigrantes aportavam por aqui já no segundo século do descobrimento.

Desde então a contagem segue e os números de agora beiram a casa dos 12 milhões de imigrantes e descendentes. Em toda parte do País eles comemoram hoje o Dia Nacional da Comunidade Árabe.

O arabismo está presente em nosso dia a dia. Para começar, se o brasileiro é ligado no bom cafezinho, tem coisa árabe em cada xícara. Sim, graças à influência que o produto expande-se entre os melhores do mundo. E a história do café se confunde com a história do Brasil, não é mesmo?

Opa, e tem mais coisa árabe além de cada golinho do bom café. O Brasil não é a terra do samba, do gingado e da morena no requebrado?

 

 

Música das arábias

A nossa música popular tem um berço jovem com relação às demais culturas. Naturalmente que o surgimento foi num palco de intensas influências estrangeiras.

E como já foi dito que temos árabes desde os primeiros séculos do descobrimento, eles também estão em nosso berço musical ao trazerem o alaúde e adufe para terras tupiniquins, instrumentos geraram o bandolim, o cavaquinho e o pandeiro.

Pronto, a roda de samba está formada e, assim, o som nativo do Brasil dava início aos primeiros ritmos. Quer mais dos árabes? Uma varredura em nosso português irá revelar centenas e centenas de palavras que chegaram com o tapete voador.

Quando isso aconteceu em nossa história, o mundo árabe estava sob o Império Otomano. Os anos sangravam no recente país sul-americano e São Paulo crescia espantosamente como grande centro.

Gosta de visitar a 25 de Março para comprinhas? O maior shopping a céu aberto do Brasil também tem início com os árabes. Portanto, em praticamente tudo que é brasileiro hoje há um pouco ou muito dessa cultura.

Por isso a rua dos sacoleiros tem esse nome. O Dia Nacional Nacional da Comunidade Árabe foi sacramentado no calendário em 5 de agosto de 2008, mas cravando 25 de março.

Voltando à história, a partir de 1500 e quando o Brasil ainda não existia, o Império Otomano pesava no Oriente Médio. A região viva uma tempestade de levantes e, claro, isso resultava em conflitos tensos, guerra civil, massacres, genocídios etc..

 

 

O bandolim do Jacob

Descendente do alaúde que chegou no Brasil com os árabes, o bandolim viraria sobrenome de um músico espetacular, Jacob Pick Bittencourt.

Aliás, em 14 de fevereiro deu-se o centenário do nascimento dele. Dizem que ele era mesmo um cara durão mas um defensor da música nacional tradicional.

Quando colava o bandolim no peito, transformava-se em genialidades a cada nota e arranjo. Esse carioca de Laranjeiras arrepiou o Brasil de ponta a ponta.

Começou no violino, presente da mãe Sara Rachel Pick. No entanto, o moleque Jacob não usava o arco mas dedilhava no violino. Foi então encaminhado para o bandolim e em 1947 lançava o primeiro disco, o choro ‘Treme-treme’.

Já celebridade nacional, em 1967 ele ganhava notícia ao declarar a morte do choro. Jacob era fã incondicional de Pixinguinha e contra a influência do jazz na cultura de raiz. Faleceu em 13 de agosto de 1969, vítima de um segundo enfarte, quando tinha 51 anos e o mundo todo pela frente.

A Música da Hora traz o bandolim desse mito, abraçando a cultura árabe no Brasil neste 25 de março. Esse é um clássico do nosso choro, Vibrações. Dá-lhe, Jacob!

 

Do violino ao bandolim

Sim, o nome dele revela traços judeus. A mãe, ainda que com uma história que a sociedade repugnava, era judia fervorosa e atuava na Associação Beneficente Funerária e Religiosa Israelita, centro do Rio e boca da boemia. Essa associação fora criada e dirigida por prostitutas.

Foi nesse ambiente que o Jacob cresceu, só que nunca rejeitou a mãe. Ao contrário, tinha muito orgulho dela. Se a mãe era israelita-polonesa, o pai era brasileiro e bem católico.

A mãe fez de tudo para blindar o filho daquele ambiente perigoso e o primeiro passo foi mantê-lo nas melhores escolas. Quando não estava estudando, ficava em casa sonorizando o violino chorado por um músico francês (e cego), que tocava na rua por algumas moedas.

Quando chegou à maioridade judaica, 12 anos, ganhou um violino de presente. Sim, mas ele tocava como se fosse violão. Diante disso, não teve jeito e a dona Sara tratou de substituir o violino por um bandolim. E foi assim que tudo começou.

 

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