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27/06/2019
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MÚSICA DA HORA: o hino gay que abalou uma organização secular

Há músicas que se eternizam como obra de arte ou simplesmente pela beleza inspiradora; outras tantas consagram-se em harmonia com o impacto do cinema, outras por fatos históricos. Enfim, a música faz a trilha sonora geração a geração.

Não é o caso desta Música da Hora. Quarenta anos atrás, 13 de janeiro de 1979 e um ano após o Village People explodir o sucesso YMCA, a Associação Cristã de Moços entrou com processo alegando que os valores sociais e cristão que defendia eram atacados pela banda americana.

Acontece que YMCA era um sucesso avassalador e a organização não teve chance alguma parar a onda. Adotada como hino gay, tomou conta das discotecas e hoje é um singles com mais de 10 milhões de cópias vendidas no mundo todo.

Composição de Henri Belolo, Jacques Morali e Victor Willis, o disco foi lançado em 1978 e, de fato, incomodou barbaridade a histórica YMCA – Youth Men´s Christian Association que, na época, já era uma potência.

A organização está presente no mundo todo e o crescimento é tanto que criou-se uma versão exclusiva para mulheres. A história da ACM vem de 1844, iniciativa de um jovem inglês, George Williams, cujo objetivo era estritamente religioso mas sem vínculo com igrejas.

Cinco décadas depois a Associação Cristã de Moços se instalaria no Brasil. Quando a festa do cinquentenário da YMCA foi comemorada no Rio de Janeiro, a organização contava pouco mais de 5 mil filiadas no mundo e mais de 450 mil associados. Foi na YMCA que nasceram o basquete e o vôlei, só para constar. Os números atuais da ACM aproximam-se de 15 mil associações em centenas de países e com associados aos milhões, naturalmente.

Então, quando surgiu o YMCA do Village People em 1978, foi uma inquietação global na organização, já que a sigla estava se transformando num ícone da cultura gay. E não deu outra.

E a pressão foi tão traumática que após 166 anos a YMCA decidiria mexer na sigla e também no logo. Oito anos atrás e três décadas após o lançamento da música, Youth Men´s Christian Association seria resumida a The Y.

Sabendo disso, imediatamente o Village People responde aos fãs que a música seguiria intocável. No geral, a letra é mesmo uma homenagem à associação, fala do amparo social etc mas, é claro, a homenagem sublinha festinhas para homens e que são afrontas aos princípios morais da organização.

O VP arregaça na coreografia gay e uma linha da música aponta para isso. Claro, a YMCA não ficaria quieta. No entanto, não teve como enfrentar essa explosão de sucesso e o processo sucumbiu logo após dar entrada.

Por longos anos a ACM mundial vem sofrendo esse tipo de carma, até que em 2010 decide chutar o balde com a sigla secular para apresentar-se como The Y – uma medida extrema para apagar esse passado traumático sob o cabresto do Village People.

Sim, esse sucesso de 1978 causou tudo isso e hoje segue imbatível como hino gay; por outro lado, o ex-YMCA e agora The Y, continua em crescimento como um Bem da humanidade.