MÚSICA DA HORA: lembrando a criação da RFFSA ao som do baião

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MÚSICA DA HORA: lembrando a criação da RFFSA ao som do baião
setembro 30
11:43 2018

Foram 50 anos fazendo os trilhos do Brasil, até canetaço do governo Fernando Henrique Cardoso extingui-la em janeiro de 2007. A Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima,  criada nesta data em 1957, hoje é um passado que vai se perdendo na história. No entanto, se as plataformas falassem, quantas histórias de idas e vindas nessas tantas décadas de serviços, não é?

Mas antes da decisão de FHC, a RFFS já havia sido vítima de decreto de extinção em 1999 e que colocava fim a décadas do serviço.  A rede abrigaria essas empresas a parir de 1957:

– Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
– Estrada de Ferro de Bragança
– Ferrovia São Luís-Teresina
– Estrada de Ferro Central do Piauí
– Rede de Viação Cearense
– Estrada de Ferro Mossoró-Sousa
– Estrada de Ferro Sampaio Corrêa
– Rede Ferroviária do Nordeste
– Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro
– Estrada de Ferro Leopoldina
– Estrada de Ferro Central do Brasil
– Rede Mineira de Viação
– Estrada de Ferro Goiás
– Estrada de Ferro Santos a Jundiaí
– Estrada de Ferro Noroeste do Brasil
– Rede de Viação Paraná-Santa Catarina
– Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina
– Estrada de Ferro de Ilhéus
– Estrada de Ferro de Nazaré
– Estrada de Ferro Santa Catarina
– Viação Férrea do Rio Grande do Sul
– Estrada de Ferro Tocantins

Sim, as linhas paulistas não estão nessa lista inicial. Em 1971 foi criada a Ferrovia Paulista Sociedade Anônima, Fepasa, que em 1998 seria integrada à rede. No entanto, um ano depois o governo federal começaria a liquidar a RFFS e com o discurso que isso resultaria em investimentos no setor. A extinção final com FHC em 2007, segundo esses discursos, seria para entrada do setor privado assumisse os trilhos.

Acabou que o sacrifício da RFFS seria em vão porque os discursos do governo não vingaram. Nenhuma concessionária comprou a ideia e, por fim, as linhas de longo percurso hoje são fantasmas. Mas o processo de privatização ainda segue e para 22 mil quilômetros de estrada e que somam 73% do total.

Sim, a velha rede entrou no cancionismo. Em 1962, Luiz Gonzaga cantou ‘De Teresina a São Luís’, composição de João do Vale e Helena Gonzaga; treze anos depois, 1975, Geraldo Roca chegava com ‘Trem do Pantanal e, em 1980, a dupla gaúcha Kleiton e Kledir emplacaria o ‘Maria Fumaça’.

Ainda sobre a linha férrea em São Paulo, havia a Estrada de Ferro Araraquara, a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e a Estrada de Ferro São Paulo e Minas. Em 1967 o governo Abreu Sodré criou a Companhia Paulista de Estradas de Ferro; com Laudo Natel em 1971, surgiria a Fepasa.

Quando a Fepasa foi incorporada à RFFSA em janeiro de 1998, a decisão do governo paulista foi para quitar dívidas. Em razão disso, a malha urbana então coberta pela Fepasa ficaria para a emergente Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, CPTM.

Na memória dos viajantes dos antigos trilhos de São Paulo estão as linhas Sorocaba-Apaí, Embu Guaçu-Santos, Peruíbe-Campinas, Araraquara-Barretos, Campinas-Panorama e Santos-Juquiá; ainda: São José do Rio Preto-Barra Funda e Campinas-Araguari.

Sobre a RFFSA, a Música da Hora manda o baião de Luís Gonzaga. Um som de embalada harmonia que vem lá dos anos 60 para lembrar essa história – o Rei do Baião estava com 50 anos. Luís Gonzaga é de 1912 e morreu em agosto de 1989, aos 77 anos.

Por fim, o Brasil é um país continental absoluto e que ignora, inexplicavelmente, a exploração férrea. Uma vista nas maiores economias do mundo, a malha ferroviária de longo percurso é uma das prioridades.

 

Sobre o Autor

Marcio Silvio

Marcio Silvio

marciosilvio@qgnoticias.com

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