MÚSICA DA HORA: Em Brasília, dezenove horas

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MÚSICA DA HORA: Em Brasília, dezenove horas
julho 22
16:54 2018

A partir de 22 de julho de 1935, a voz de Luiz Jatobá passava a tomar conta do País. Era o Programa Nacional lançado pelo presidente Getúlio Vargas e que depois ganharia o nome de A Hora do Brasil para, posterior e definitivamente, ser A Voz do Brasil.

Portanto, lá se vão 83 anos desde a estreia do programa que é o mais antigo desta América – está no Guiness Book. Quando Jatobá foi para o microfone, a rede de rádio brasileira contava apenas oito emissoras prefixadas assim: PRA-2, PRA-3, PRA-9, PRP-7, PRC-8, PRE-2, PRD-2 e PRF-5.

Quem cuidou de todo aparato logístico e político para o empreendimento do governo foi Lourival Fontes, ministro das Comunicações. O governo também tinha o Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão linha dura e que ostentava a estrela de xerife filtrando as informações. Quem comandava o DIP era um amigão do presidente Vargas, Armando Campos.

Três temporadas depois, 1938, os homens do governo decidiram especificar melhor a propaganda oficial e mudaram o nome – de Programa Nacional passaria para A Hora do Brasil. O mais importante nessa inovação foi a lei obrigando a transmissão por todas emissoras.

A partir de então o País passava a ouvir o bordão de abertura oficial diariamente. Essa nova fase deu-se em setembro de 1938 e com Luiz Jatobá pilotando o microfone e estreando num estúdio improvisado no estádio do Vasco da Gama, Rio de Janeiro.

Com o Brasil sob o governo de Eurico Gaspar Dutra, 1945, a ala diretista pressionava pelo fim do A Hora do Brasil, acusando ser um programa de ditadura, herança de Vargas. Político habilidoso, Dutra sabia que o programa era uma ferramenta importante para divulgação do poder e, assim, conseguiu manobrar a oposição.

Mexeu os pauzinhos para mudar algumas coisas e rebatizou o A Hora do Brasil para A Voz do Brasil, isso em setembro de 1946 e com mais vozes ao microfone – essa fase começou com locuções de Theófilo de Vasconcelos, Jair Amorim e Aristides Siqueira Leite.

Nesse ínterim, o Departamento de Imprensa e Propaganda seria extinto, dando lugar ao Departamento Nacional de Informações e que evoluiria para a Agência Nacional.

Um dos marcos de A Voz do Brasil foi a edição de 24 de agosto de 1954, quando a Carta Testamento de Getúlio Vargas era lida de ponta a ponta para um Brasil em turbulência por conta da tragédia.

Então o programa passa a sofrer dura pressão porque o governo de João Café Filho queria fechar tudo – e conseguiu. No entanto, a medida durou quase nada e o presidente recua, humilhado, anulando a proibição. Um fiasco político!

Quem soube trabalhar legal no A Voz do Brasil foi o grande Juscelino Kubitschek. Esse presidente tinha faro de marketing e explorou de forma sábia as ondas do rádio.

Mais tarde, a partir de 1961 e com João Goulart, o programa ganha roupagem que daria as bases do atual com meia-hora destinada aos Poderes Executivo e Judiciário, meia-hora para o Poder Legislativo – explorando mais a Câmara de Deputados e a Câmara do Senado.

Certo, depois de Jango vem o regime militar e a Voz do Brasil segue mais firme e forte. E foi nesse período da farda brasileira que nova mexida acontece, dessa feita na trilha de abertura com o Hino da Independência no governo Médici.

Ouvia-se, então, aquela voz nacionalista com o ‘Em Brasília, dezenove horas’, seguida pelo hino composto por D. Pedro I. Mas também foi um período de mudanças de conteúdo com noticiário geral, até mesmo esportivo.

Já em 1978 o programa era produzido pela Empresa Brasileira de Notícias e com a voz marcante de Clemente Drago de Oliveira, então com 20 anos comandando a locução.

Com o fim do regime e o retorno civil ao comando de Brasília, a pauta do programa volta à discussão quanto à obrigatoriedade de rede nacional. Com José Sarney em 1985, A Voz do Brasil já era bem moderninha e o governo trabalhava o lema de a Nova República. O presidente decidiu tirar o resquício militar que era trilha de abertura, o Hino da Independência. Mas a linha obrigatória seguia com o ‘Em Brasília, dezenove horas’.

Novas mudanças na música de abertura, isso em 1990, já com o presidente Fernando Collor mandando a Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Outras mexidas aconteceram em 1998 com Fernando Henrique Cardoso, sofrendo mudanças ainda mais dinâmicas com Luiz Inácio da Silva, o Lula, a partir de 2004.

Um detalhe nessa mexida lulástica foi o fim do ‘Em Brasília, dezenove horas’ para o ‘Sete da noite, em Brasília’. A ideia da corte nacional era singularizar a linguagem ao nível informal do povão.

Sim, algumas emissoras de rádio já haviam conquistado direito de exibir o programa em outros horários. Com a presidente Dilma Roussef, em junho de 2014 e por conta da Copa do Mundo, o rádio brasileiro ganha importante flexibilidade para retransmissão do programa.

Após o tumulto do impeachment, o sucessor e atual presidente Michel Temer repetiria o ato em 2016 e para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Em abril deste ano, por fim, o governo decreta flexibilização definitiva às emissoras, exceto àquelas de ordem educativas.

 

Il Guarany

Do compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes, Il Guarany é uma ópera em quatro atos e baseada no romance de José de Alencar, O Guarani. Teve estreia espetacular em Milão, em março de 1870.

A ópera é parte histórica do programa de rádio do governo. Foi retirada em alguns períodos mas para retornar e se estabelecer definitivamente como vinheta de abertura.

Antônio Carlos Gomes é natural de Campinas, julho de 1836. Ainda bem jovem, 24 anos, tem as bênçãos do imperador D. Pedro II e vai patrocinado para estudar no Conservatório de Milão, onde se torna maestro.

A ópera O Guarani entrou na rádio oficial porque naqueles anos 30 o Brasil comemorava o centenário de nascimento do compositor famoso.

 

Sobre o Autor

Marcio Silvio

Marcio Silvio

marciosilvio@qgnoticias.com

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