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MÚSICA DA HORA: combate à escravidão com Dorival Caymmi

 Extra!
MÚSICA DA HORA: combate à escravidão com Dorival Caymmi
janeiro 28
17:43 2018

Entre tantas histórias vergonhosas do Brasil, o regime escravocrata está entre os destaques. Mas se o chicote e as correntes desapareceram para sempre, evoluíram para outra forma de servidão e castigo. Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, pois a opressão continua. O País tem muitas crises para resolver, a opinião pública se concentra nos principais noticiários e se diverte vendo programas absurdos na televisão e, portanto, verdades como a escravidão trabalhista acaba insignificante.

Quando se fala em trabalho escravo, fala-se de vítimas de um patronato que resgata a figura daquele coronel das senzalas – confina o empregado em situações de calabouço e a preço de praticamente nada.

 

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Os dados do Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil divulga que nos últimos 14 anos foram libertados mais de 43 mil escravos em todo país. Essa operação de investigar o regime trabalhista segue em cooperação com o Ministério Público e também com a Organização Internacional do Trabalho.

Em linhas gerais, o trabalho escravo se caracteriza pela jornada extrema, condições degradantes e até mesmo por cárcere privado – situação na qual o empregado em dívida com o patrão, se submete a tal situação como pagamento de dívida.

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo é celebrado nesta data como homenagem a auditores fiscais assassinatos em 2004. Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva investigavam denúncias de trabalho escravo na zona rural de Unaí, Minas Gerais. Além dos auditores também foi assassinado o motorista Aílton Pereira de Oliveira.

Mas desde 1970 que a Igreja Católica denunciava, destaque para dom Pedro Casaldáliga e para a Comissão Pastoral da Terra, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. No entanto, a causa seria reconhecida com data oficial somente em 2009.

Compositor, poeta e pintor, Dorival Caymmi (abril de 1914/agosto de 2008) não deixou de lado essa questão. Por sinal, pisava num solo onde a escravidão falou muito alto. E naquela época quando a igreja levantava as primeiras denúncias contra o trabalho escravo, ele compôs ‘Retirantes’.

Foi em 1976 e sob encomenda da novela A Escrava Isaura. Isso à parte, a música é uma abordagem bem mais ampla e histórica.

Os escravos do período de flagelo do Brasil sofriam todas dores físicas e emocionais possíveis, choravam a saudade da terra natal e sem saber se estariam vivos para outro amanhecer.

A diferença para a escravidão de hoje é que não tem a ver com o negro mas para qualquer desafortunado da vida, especialmente retirantes da America do Sul.

 

RETIRANTES

– Dorival Caymmi (1976)

Vida de negro é difícil
É difícil como quê

Eu quero morrer de noite
Na tocaia me matar
Eu quero morrer de açoite
Se tu negra me deixar

Vida de negro é difícil
É difícil como quê

Meu amor, eu vou m’embora
Nessa terra vou morrer
O dia não vou mais ver
Nunca mais eu vou te ver

Vida de negro é difícil
É difícil como quê

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Sobre o Autor

Marcio Silvio

Marcio Silvio

marciosilvio@qgnoticias.com

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