MÚSICA DA HORA: 8 de julho e os 7 a 1 da Alemanha

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MÚSICA DA HORA: 8 de julho e os 7 a 1 da Alemanha
julho 08
16:25 2018

Desde tempos idos da velha guarda da música popular brasileira que o futebol inspira e faz a trilha musical das quatro linhas. Seja referindo-se ao esporte propriamente ou a um talento específico, eis a música entrando em campo e acenando para a torcida de todos os times.

Sim, a seleção brasileira também inspirou os poetas da MPB. Para a campanha do tri em 1970, o Brasil teve praticamente um segundo hino nacional, vale lembrar. Mas recuando nessa linha do tempo, Pixinhquinha e Benedito Lacerda lançaram, em 1919, um choro homenageando a conquista do Sul-americano quando a seleção teve que suar muito para vencer o Uruguai por 1 a 0.

Fato, a seleção do tri é mesmo lendária e até hoje é referência de qualidade individual e tática. Mas depois do México e na Copa do Mundo seguinte, 1974 na Alemanha Ocidental, o Brasil não teve o brilho anterior e o mundo conheceu a Holanda com a espetacular Laranja Mecânica.

O Brasil foi eliminado na 2ª fase pela máquina encabeçada por Johann Cruyff, 2 a 0. O técnico era o mesmo Zagallo do tri e que gerara polêmicas nessa convocação para a Alemanha Ocidental.

A principal baixa era a dele, o eterno camisa 10 aposentara-se do Brasil logo após o tri. Mas além de Pelé a seleção não tinha Tostão, Gérson, Carlos Alberto Torres e nem Clodoaldo. Mas tinha Rivellino como principal armador e o furacão Jairzinho, ambos do tri mas que ficaram na saudade em 1974.

 

Camisa 10

A camisa 10 tem esse emblema de consagração no futebol e, claro, Pelé é quem veste esse número. E antes de a seleção embarcar para a Copa de 74 o cantor Luiz Américo sacudiu a MPB numa crítica absoluta ao grande desfalque do Brasil.

Composição de Hélio Matheus e Luís Vagner, ‘Camisa 10’ foi lançada feito profecia marcando a estrada da seleção na Alemanha Ocidental – sem Pelé. Não apenas pela baixa do grande ídolo do tri, mas porque após 1970 a seleção não se encaixara mais e ainda estava insegura para 1974.

A música entrou nas paradas no ano anterior e mexeu com o sentimento nacional. Entre tantos sucessos daquela safra extraordinária de compositores, ‘Camisa 10’ esteve entre as mais tocadas.

Preparando-se para 1974, Zagallo comandou o Brasil num tour pela Europa e os resultados não convenceram. Depois de tomar de 2 a 0 da Itália foi que os compositores Hélio e Luís trabalharam o ‘Camisa 10’ especialmente para Luiz Américo.

Não, eles não cobravam a presença de Pelé mas denunciavam que o Brasil não tinha um substituto à altura. Isso está mais que explícito na letra: “Dez é a camisa dele, quem é que vai no lugar dele..”

Há insinuações ao goleiro Leão, ao zagueiro Luís Pereira e também sobrou para o atacante Palhinha; outras referências são o furacão Jairzinho e o Garoto do Parque – o craque Rivellino. Os compositores também brincam com o atacante Flecha, dizendo que foi para a Copa mas sem o arco.

De volta a Pelé, ostentou a camisa 10 de graça e por uma confusão nas numerações enviadas à Fifa para a Copa de 1958. Aquele garoto de 17 anos faria o gol na final contra a Suécia e seria o rei da vez na Copa do tri.

Já nos mundiais de 1974 e 78 a camisa 10 foi de Rivellino, outro consagrado do futebol e, de 1982 a 86 a camisa foi de Zico na seleção; quem a herdou em 1990 foi Silas na Copa da Itália, sendo que Raí foi o 10 do Brasil na campanha do tetra. Rivaldo vestiu o manto de 1998 a 2002, em 2006 foi Ronaldinho Gaúcho, em 2010 Kaká e, no momento, Neymar é o dono dela – desde 2014.

 

O 10 de hoje

Sim, e Neymar inicia essa história na Copa realizada no Brasil e que hoje marca uma data traumática. Quatro anos atrás, 8 de julho no Mineirão, eis a seleção nocauteada pela potência alemã que meteu 7 a 1 – pior derrota da história canarinha, superando os 6 a 0 para o Uruguai no Sul-americano de 1920.

O Brasil foi com Júlio César; Maicon, Dante, David Luiz e Marcelo; Fernandinho (Ramirez), Luiz Gustavo, Hulk (Paulinho), Oscar, Bernard e Fred (Willian). Técnico, Felipão.

Cadê Neymar nesse jogo? Na vitória por 2 a 1 na Colômbia, teve aquela joelhada de Zúñiga nas costas do camisa 10. Neymar fez a performance de dores bem vistas no Mundial de agora na Rússia, mas naquela ocasião os exames apontaram lesão na terceira vértebra.

Portanto, o camisa 10 de 2014 não esteve naqueles 7 a 1 para a Alemanha. Por outro lado, esteve em campo na ainda doída eliminação da Copa da Rússia, nos 2 a 1 da Bélgica.

O que fica disso tudo é que a seleção não inspira mas a nossa música. O Skank veio com o ‘É uma partida de futebol’ em 1996, louvação ampla e sem especificar a seleção; a banda curitibana Beijo Aa Força lancou ‘Era Dunga’ em 1992, um trabalho bem territorial; e Os Paralamas do Sucesso também cantam o futebol em 1988 com o ‘Um a um’, mas nada direcionado.

Bem antes, 1970, Milton Nascimento chegava com ‘Aqui é o País do Futebol’ e que teria regravação de Wilson Simonal; já em 2003 tem Fagner e Zeca Baleiro cantando ‘Canhoteiro’, ponta do Maranhão que se destacou no São Paulo e que era aplaudido por Pelé.

Toquinho também canta o futebol com ‘A bola’, gravação de 1983, composição dele com Mutinho e que também teve interpretação de Moraes Moreira. Mas como este 8 de julho traz à memória o Mineiraço de 2014, e como o país lamenta a recente eliminação na Copa do Mundo da Rússia, a canção de Luiz Américo segue permanente, já que até o peso da camisa 10 segue enigmático.

 

Sobre o Autor

Marcio Silvio

Marcio Silvio

marciosilvio@qgnoticias.com

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