Francisco Rossi tinha 36 anos quando prefeito de Osasco à mesa cerimonial para assinar co-irmandade com a cidade japonesa Tsu em 1976, acordo por comércio e intercâmbio.
No início da semana, delegação japonesa chegou em Osasco para celebração do cinquentenário dessa união, tendo à frente o prefeito Yasuyuki Maeba. Pela bandeira osasquense, Rossi perfilava ao lado em modo discreto mas carregando toda essa história, personagem central.
Tsu é da provícia de Mie, região de Kansai na ilha de Honsu. Na capital Tsu, o Santuário de Ise e o parque Nagashima Spa Land se destacam. No mais, muitos brasileiros vivem nessa cidade que fica cerca de 400km de Tóquio.
Os encontros para a parceria internacional começaram em agosto de 1975 após o deputado Etsuo Kuwana retornar de Osasco com proposta de irmandade. Hatsuhiro Okamura era o prefeito e respondeu com ofício no início de novembro.
Assim que Rossi recebeu o documento de aprovação, encaminhou procedimento para a celebração que se daria em 18 de outubro do ano seguinte. Sim, as comemorações de agora em Osasco foram antecipadas em dois meses.
Em 1976, a Câmara Municipal tinha um vereador descendente que foi fundamental para o convênio -. Jorge Yoshida assinava como 1º secretário daquela quarta legislatura presidida por Antônio Márcio Lopes.
Jorge Yoshida tratou com o presidente da Câmara dos Vereadores Tsutomu Kawai e ambos trabalharam no projeto que seria longevo.
ROSSI JOVEM, OSASCO JOVEM
O prefeito Francisco Rossi posava tipo galã aos 36 anos e à frente de uma cidade igualmente jovem, apenas catorze anos de emancipação.
Osasco lutava bravamente por infraestrutura – asfalto e saneamento básico penalizavam a periferia; o crescimento econômico era puxado por fábricas metalúrgicas, têxteis e de construção – a população não chegava a 400 mil.
Ao desembarcar no Japão e entrar na Tsu em outubro de 1976, Rossi encantou-se com o requinte daquela cidade reconstruída após a 2ª Guerra Mundial.
A capital já era um grande centro comercial com infraestrutura top e cerca de 150 mil habitantes. No mais, o prefeito de Osasco deparava-se com as novidades da tecnologia – naquele ano, a JVC lançara o sistema VHS e os videogames explodiam.
O que também espantou Francisco Rossi foi a telefonia. Enquanto o Brasil tinha a Telesp com Planos de Expansão, Orelhões e chamadas distantes via telefonista da Embratel, Tsu surfava na vanguarda da tecnologia.
A Nippon Telegraph and Telephone já havia automatizado praticamente todo país e as centrais telefônicas operavam em modo eletrônico; Rossi viu cabines públicas (amarelas e azuis) por toda parte de Tsu, ostentação de eficiência.
Agora, o nocaute de encantamento do prefeito foi deparar-se com celular, tecnologia que vinha desde 1970. Ele estava num dos veículos municipais do governo de Tsu quando viu aparelho móvel e com discagem automática. Três anos depois o Japão lançaria a primeira rede de telefonia celular comercial do mundo (1G analógica) – chegaria a Osasco após 1990.
Por fim, não é exagero dizer que ao ir para a assinatura de irmandade com Tsu em 1976, o prefeito Rossi fez uma viagem para o futuro. E de volta ao cerimonial da semana pelo Jubileu de Ouro, ele ficou muito na discrição e posando na humildade, mesmo sendo ator principal nessa história.
