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Descobrimento do Brasil, dois anos após o achamento do Brasil

 Extra!
Descobrimento do Brasil, dois anos após o achamento do Brasil
abril 22
06:35 2018

A história está aí e batiza o jovem Pedro Álvares Cabral como descobridor das terras tupiniquins. Neste 22 de abril o Brasil apaga mais uma velinha do tempo e se mantendo como um país do bloco intermediário na economia global.

Mas de alguns anos para cá essa aventura heroica de Cabral começou a ser revista e, por fim, a comunidade científica aceita a versão que aponta o descobrimento do Brasil não em 1500 mas dois anos antes.

Sim, oficialmente o bolo é cortado neste 22 de abril, só que há registros de Portugal pisando aqui em dezembro de 1498. E o capitão daquela esquadra desconhecida era Duarte Pacheco Pereira, cujo nome fica à sombra do de Cabral.

Por que a frota de Pacheco era desconhecida? Sim, ele aportou oito navios em águas dos atuais Pará e Maranhão mas sabendo que isso não seria história, já que estava numa operação secreta.

Isso mesmo, o império agia na calada por conta da disputa naval com a também espetacular e fortíssima força espanhola. Portugal estava atuando forte em outros mares e com a Espanha monitorando mas, e apesar disso, entrava na América do Sul.

 

Calitute era a missão

Só que essas novas terras não estavam nos planos de mercado e Portugal queria mesmo a ligação com Calicute. costa ocidental da Índia. Vasco da Gama aportara por lá em 1498, retornando no ano seguinte para levar as boas novas ao império.

Chegando em Lisboa, o governo tomou conta dos fatos e logo cuidou de montar outra e maior expedição para Calicute. Cerca de 1.500 homens em 13 embarcações levando riquezas para os indianos partiram de Lisboa em 9 de março de 1499.

Pedro Álvares Cabral era um fidalgo de 33 anos, bem jovem e respirando a aventuras; com ele outro lobo dos mares, Bartolomeu Dias, famoso na história por ter dobrado o cabo da Boa Esperança para chegar ao Oceano Índico.

Quando Cabral zarpou, deixou uma Lisboa em festa. Naquele tempo a capital contava cerca de 60 mil habitantes e uma multidão gigantesca acompanhou a partida da frota rumo às Índias.

Sim, a rota estratégica de Portugal apontava para Calicute. No entanto, nesse ínterim ele faria um curso extra para retornar à América do Sul. Era tarde de 22 de abril de 1500 quando a frota ancorou a cerca de 50km da costa tupiniquim, à sombra do Monte Pascoal.

Mas ao contrário de Duarte Pacheco dois anos antes, dessa vez a chegada dos portugueses não seria segredo de estado e as terras sul-americanas entravam para os cofres do império.

No entanto, até o termo descobrimento merece revisão porque Cabral encontrou nações indígenas por aqui, ou seja, não era uma terra inabitada ou escondida do homem. Historiadores contam que mais de 5 milhões de índios vivam nessa costa. Repetindo, 5 milhões apenas na zona costeira do Norte e Nordeste. Tanto é que os portugueses usavam a expressão ‘achamento’.

 

Cabral e Pacheco

Como os passos de Cabral eram oficiais, então os símbolos portugueses foram levados à terra firme e sacerdotes da igreja realizariam missas celebrando e consagrando aquele 22 de abril.

A primeira missa deu-se no dia 26 e ministrada pelo frade franciscano Henrique Soares de Coimbra. Os portugueses ficariam em terras tupiniquins até o final do mês, sendo que em 1º de maio foi decretado oficialmente o descobrimento.

Para essa cerimônia levantou-se uma enorme cruz e que justifica o nome da atual Santa Cruz Cabrália, município ao sul da Bahia e que forma a Costa do Descobrimento com Porto Seguro, Belmonte e Eunápolis.

No dia seguinte, 2 de maio, Pedro Álvarez Cabral ordena o levantar âncoras e a frota retoma a rota de origem do império, Calicute, mas o comandante Gaspar de Lemos recebe a incumbência de voltar a Lisboa para reportar sobre Vera Cruz.

Ao ouvir o nome de batismo dado por Cabral, o governo português mudou para Santa Cruz. Com o descobrimento sendo manchete política, a terra sul-americana virou ponto turístico recebendo avalanche de espanhóis e franceses até.

Mas Santa Cruz era um nome político que não vingava na terra descoberta e que era chamada popularmente de Terra dos Papagaios. Somente na década seguinte que um manuscrito registraria que Brasil era o nome corrente no local. A partir daí o governo conferiu a tendência e decidiu manter a voz nativa para a nova terra, Brasil.

E sobre o pioneiro Duarte Pacheco Pereira? Ele estava naquela missão de Cabral. Oficial navegador, cosmógrafo e militar de carreira, o nome de Duarte Pacheco é história no livro ‘A Construção do Brasil’, do português Jorge Couto.

Se Cabral é o descobridor da vez, cabe também cantar o parabéns a Duarte Pacheco, pois ele estava lá como número 1 da coroa. No famoso Tratado de Tordesilhas, por exemplo, Pacheco fora o representante do império para definir as águas do Atlântico Sul com a Espanha.

 

Descoberto por um espanhol?

Muitos estudiosos carimbam que o espanhol Vicente Yáñez Pinzón chegou na costa brasileira antes de Cabral, precisamente em 26 de janeiro de 1500.

Ele tinha 38 anos quando levantou dinheiro suficiente para comprar quatro pequenas mas modernas embarcações, com o sonho de encarar mares desconhecidos.

O capitão estava à frente do Niña e com tripulação de 24 marujos. Como foi dito, Pinzón comandava um investimento particular e nada a ver com frota militar.

Isso foi possível porque em 1498 a Coroa Espanhola liberara que expedições particulares rasgassem os mares. Com toda motivação de um desbravador intrépido, em novembro de 1499 ele partia do porto de Palos de la Frontera comandando os quatro pequenos navios.

No mês seguinte as caravelas aportavam no arquipélago de Cabo Verde e onde passaram a virada do ano. Já em 13 de janeiro de 1500 ele levantou âncoras rumo ao sudoeste, mas foi quando enfrentou terrível tempestade que por pouco não causou naufrágio total.

Por fim, todo perigo valeu a pena porque em 26 de janeiro ele ancorava numa terra que chamou de Santa Maria de la Consolación.

Mas esse aportamento de Pinzón renderia tremenda batalha judicial. Quanto ao local da chegada, seria na atual Ponta do Mucuripe, Fortaleza; mas há quem aponte para o Cabo de São Roque no Rio Grande do Norte, e também para a Ponta do Seixas na Paraíba.

 

NOTINHAS
– os portugueses nunca falaram em descobrimento, sabendo que o termo não batia com os fatos; para a nova terra eles usavam ‘achamento’.
– há registros apontando que ao pararem por aqui eles teriam pisado em rastros chineses, que fizeram expedição em 1422 – recuando ainda mais na antiguidade, ouve-se de fenícios e vikings.
– sim, a expressão ‘descobrimento do Brasil’ é uma afronta aos povos indígenas.

Sobre o Autor

Marcio Silvio

Marcio Silvio

marciosilvio@qgnoticias.com

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