A partir de 2010 a política esportiva da riquíssima Barueri começava sinalizar nuvens carregadas. A cidade bombava no futebol profissional e bancava modalidades de alto rendimento com centenas de atletas.
Cinco anos depois, a prefeitura decide levantar um muro para isolar essa política, divisor que segue até hoje – Barueri faz esporte apenas para Barueri.
Antes desse colapso, tocava o esporte com gerência do Grêmio Esportivo Barueri; com a mexida administrativa, a própria Secretaria de Esportes passou a cuidar da cama e mesa com atividades domésticas.
Por conta da saída do Grêmio Barueri para Presidente Prudente, o estádio municipal que hoje é do Palmeiras, ficaria à mercê de locações após construção (inacabada) bater custo de R$150 milhões.
Sim, a prefeitura tentou manter o futebol e todo investimento foi castigado por rebaixamentos em série, situação que pulverizaria de vez o profissional. No entanto, em 2016 chegaria o Oeste FC ex-Itápolis e que encerrava dobra com o Audax de Osasco – mas essa é outra história.
FIM DO ALTO RENDIMENTO
A partir de junho de 2015 começava a degola do alto rendimento em Barueri. Sob justificativa de limpeza administrativa, centenas de atletas foram convidados para a rua – todo mundo dispensado sumariamente.
O prefeito Gil Arantes mostrou punhos indômitos quanto a isso, sem misericórdia, mandou fechar as portas para cortar custos – 847 atletas castigados.
Para minimizar a sangria, a Secretaria de Esportiva alardeava que o projeto esportivo continuava para mais de 7 mil alunos nas escolinhas. Com isso, a prefeitura rascunhava o modelo de gerência sem custos e que dura até hoje – esporte apenas para barueriense, nada de gastos profissionais.
Fato, a cidade é mesmo um gigantesco celeiro de escolinhas esportivas, tanto que o grandioso ginásio José Corrêa é basicamente uma super-academia que movimenta várias atividades diariamente.
E quanto ao então glorioso alto rendimento, na década passada a cidade arrebentava com vôlei, judô, basquete, futsal, futebol, handebol, atletismo, ginástica artística… Barueri fazia a poderosa Osasco tremer.
EFEITO NARCISO
Quando Gil Arantes deixou o trono da prefeitura para dar lugar a Rubens Furlan, apostava-se no fim do ferrolho mas não, a política seguiu e tem sequência com Beto Piteri. Barueri é forte domesticamente, mas há anos sob efeito Narciso – enfeitiçada pela própria imagem.
Por exemplo: recentemente aconteceram os Jogos Regionais em Praia Grande e dois municípios nanicos em termos de orçamento (se comparados ao cofre barueriense) foram lá – Jandira terminou em 12º lugar, Carapicuíba em 14°. Como cidades tão menores têm coragem e ousadia que superam a gigante Barueri?
OSASCO DEIXA MODO BARUERI
Até 2025 Osasco vinha em modo Barueri – também fora de Jogos e se satisfazendo apenas com atividades caseiras. Mas a cidade conseguiu sair dessa matrix, retornou à vitrine para o quarto lugar.
Na edição deste ano em Praia Grande, Osasco ficou em terceiro, anunciando que o esforço competitivo está realmente no planejamento municipal, nada mais de muro esportivo. E fechando sobre Barueri, foi sede dos Jogos Regionais 2013 (📸 Valdir Galindo).
