O Brasil volta a falar em guerra após 84 anos. Por quê? Ontem, durante visita ao Instituto de Aeronáutica e Espaço em São José dos Campos, o presidente Lula falou em preparar as Forças Armadas pela soberania do país.
“Nós não queremos guerra, mas nós queremos um país altamente preparado para defender sua soberania”, destacou. E sim, esse discurso quebra silêncio de 84 anos desde a era Vargas em 1942 e por conta da II Guerra Mundial.
Lula avisa que irá reforçar o cinturão bélico do país dias após o Itamaraty oficializar em nota, risco de ameaça real dos EUA que classificaram o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, medida que justificaria incursões militares como na Venezuela.
O BRASIL TEM COMO SE DEFENDER?
As Forças Armadas recebem até 1,3% do Produto Interno Bruto, mas a maior parte desse montante tem destino administrativo (folha de pagamento de ativos, inativos e pensionistas), o que sobra vai para a defesa propriamente.
Após falar em guerra e exaltar as Forças Armadas, Lula deve mudar esse cenário de forma importante. Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento, mira o desenvolvimento tecnológico na indústria da defesa nacional – submarinos Prosub, blindados Guarani, caças e mísseis.
Por exemplo: até o final do ano a previsão é de R$2,1 bilhões para os caças Gripen (F-39) da Força Aérea, arma que em caso de invasão militar, voa como primeira linha de frente.
E imaginando os EUA atacando, os pontos de ancoragem da frota americana seriam na a) Costa Rio-São Paulo (Porto do Rio de Janeiro e Porto de Santos), escoadouro de cocaína para América do Sul, Europa e Ásia; b) Costa Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia), rotas críticas de tráfico global.
O Brasil tem cerca de 360 mil militares ativos e, na reserva mobilizável (em caso de guerra), mais de 1,3 milhão. Os EUA contam 1,35 milhão de militares ativos, só o Exército com cerca de 458 mil soldados; quanto aos reservistas aptos, aproximadamente 770 mil.
As Forças Armadas do Brasil têm foco no território nacional – vigilância de fronteiras, da soberania, das riquezas estratégicas (reservas de petróleo, pré-sal, terras raras, Amazônia); o militarismo dos EUA é global.
BRASIL EM VIGILÂNCIA
A Defesa Nacional tem o Olho do Brasil, serviço de vigilância para detectar qualquer ameaça – o Sistema de Proteção da Amazônia e o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras contam com radares de longo alcance e satélites.
Em segundo momento, o Ministério de Defesa aciona o Comando de Operações Aeroespaciais e o Comando de Operações Terrestres. Nas costas brasileiras, tem a Marinha com fragatas e submarinos a partir da Base Naval de Itaguaí, Rio de Janeiro; além dos blindados Guarani, o Exército tem foguetes Astros II e baterias antiaéreas nos principais portos.
EUA NÃO QUEREM CV OU PCC
De real, a rixa dos EUA não tem a ver com o crime organizado e, classificar CV e PCC como organizações terroristas soa mais como o ladrar de cão raivoso. O calo da vez que incomoda o governo Trump é a ousadia financeira do Brasil.
Tudo começou quando o multimilionário Elon Musk foi emudecido pelas leis nacionais, seguido de limitações das Big Techs e com o fortalecimento do PIX sobre os interesses de Washington.
LULA NÃO MIRA OS EUA
O Brasil sabe que não tem como ir no mano a mano em guerra contra os Estados Unidos. Pode até ir, mas a Venezuela está aí para contar o roteiro desse filme. De real, o presidente Lula tem na prepotência americana um importante aliado eleitoral.
Batendo nos EUA como país valentão e ameaçador, Lula procura furar o apelo bolsonarista por invasão – o sonho da extrema direita é ver o Palácio do Planalto sendo varrido, assim como o Superior Tribunal Federal.
Veterano de guerra política, Lula tem como rival um soldado novo em modo tanque de guerra e vendo-se como salvador da pátria. Então o presidente vai em campanha por desmistificar esse nacionalismo extremo.
Lula ataca os EUA sem medo, além de falar em guerra ele taxa o país de pirataria pelo pedágio no Estreito de Ormuz e o objetivo é eleger um inimigo comum – inimigo que é inspiração e que molda o perfil do bolsonarismo.
Ao falar de guerra, de alimentar a Defesa Nacional e de peitar sem medo os Estados Unidos, o presidente coloca minas estratégicas na farda bolsonarista que louva Pátria Amada, que usa as cores da bandeira e que tem cada militante batendo continência ao grito de ‘patriota’. Em contrapartida, Lula diz ‘traidores da pátria’.
