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19/06/2019
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Após 4 anos e aos 40, Açougueiro ressurge por título em Barueri

Ele ganhou o apelido de Açougueiro não sem motivo. A pegada de Carlos Nascimento, meio-médio de Santana de Parnaíba foi mesmo avassaladora quando no auge. Um cara batalhador e que por três vezes tentou o título mundial.

Os punhos do parnaibano como profissional, contam 29 vitórias sendo 23 por nocaute e 4 derrotas – contagem desde 2003 quando estreou e botando Renê Lima para dormir.

Dessa estreia foram dezesseis vitórias seguidas até maio de 2007 e na primeira disputa fora do País. Açougueiro já era campeão brasileiro e também latino-americano e rumou para a Alemanha, contra Serhiy Dzinziruk no Color Line Arena e em busca do cinturão mundial.

Mais alto e mais forte, Dzinziruk domina o ringue mas contra um oponente que resistia bravamente, até que no 11º e penúltimo round o ucraniano encaixa boa sequência e Açougueiro tomba.

Naturalmente que o boxe segue e o nosso herói ausenta-se do Brasil fazendo reduto no México – foram sete combates vitoriosos por lá, entre novembro de 2007 e maio de 2009.

Em julho daquele ano ele pisa nos Estados Unidos, no Hotel Casino em Las Vegas onde bate Juan Pablo Montes de Oca, vitória que lhe abriu ringue para nova disputa de título e dessa vez na meca do boxe, o Madson Square Garden.

Açougueiro desafia o polonês Pawel Wolak para 10 ronds mas foi batido logo no 3º. Desistir? Jamais! Carlão volta ao Brasil e em outubro de 2010 afia as luvas derrubando Odair José Theodoro, luta preparatória porque no mês seguinte ele estaria novamente em busca do título mundial.

Isso mesmo, chega novembro de 2010 e o destemido Açougueiro é anunciado em Bolton, região de Manchester, Inglaterra. Luta para 12 assaltos mas o parnaibano não se dá bem contra o britânico Martin Murray e para no 3º.

 

Três tentativas mundiais

É bom contar essa história para apresentar um pouco da batalha de Carlos Nascimento em nome do boxe brasileiro, enfrentando crises financeiras e toda dificuldade que a modalidade vivia naquele período enquanto profissional.

Lutador simples, pegador e que teve essas três chances por título mundial por ser mesmo reconhecido pela cartolagem do boxe internacional.

O desafio na Inglaterra foi o último de Açougueiro. Naquela ocasião estava com 33 anos e sabia que as portas desse sonho estavam fechadas.

Ele ainda fez quatro combates em São Paulo, o último em fevereiro de 2014 contra Humberto Conceição, em Rio Claro. Mas não foi aí que ele penduraria as luvas. Açougueiro teve convite para desafio na China e foi para lá encarar Ryota Murata no Cotaí Arena, Grande Macau.

Luta para 8 rounds e o japonês tomou conta no 4º ao pôr o brasileiro fora de combate. Fim de papo para Açougueiro que volta para Santana de Parnaíba e pendura as luvas.

 

Mas não é o epílogo

Certo, quatro anos fora do ringue é mesmo um longo tempo e todo mundo só fala de Carlão Açougueiro com o verbo no passado. No entanto, hora de atualizar porque o cara está de volta.

Isso mesmo, aos 40 anos o durão Açougueiro retira as luvas do gancho, já vem treinando barbaridade e vai para cima de Sérgio Pedra, próximo dia 26 no ginásio Boa Vista de Barueri.

Pedra tem 36 anos e um cartel muito distante do histórico Carlão Nascimento – o curitibano tem seis vitórias e cinco derrotas; luta desde 2008 mas vem dando espaço muito longo na carreira.

Pedra também é lutador de muay thai. A estreia profissional foi em junho de 2008 e o último combate deu-se em março passado e com derrota para João Ricardo em São José dos Pinhais.

O adversário de Açougueiro nunca lutou fora do Paraná. Portanto, verdadeiro desconhecido e ninguém sabe da preparação dele para esse duelo contra o ex-aposentado de Santana de Parnaíba.

E sobre pendurar definitivamente as luvas, Carlão avisa que se vencer e ostentar o cinturão brasileiro dos médios, estica um pouco mais a carreira. Isso é fato, pois sendo novamente campeão ele volta à vitrine do boxe à espera de desafiantes.