A Venezuela é notícia mundial, hoje tomada pelos Estados Unidos que ditam as regras da casa após sequestro do presidente Nicolás Maduro e da esposa Cilia Flores, presos em Nova Iorque.
País do beisebol, a Venezuela também exporta atletas que fazem sucesso em outras modalidades, caso do vôlei feminino. A Superliga está para dar largada à versão 2026 e com duas jogadoras que surgiram de uma quadra surrada em Maracay.
Roslandy Acosta Alvarado tem 33 anos, 1m90 e nascida em La Guaira, capital de Vargas; Nelmaira Carolina Valdéz Pol tem a mesma idade, 1m87 e é natural de Ciudad Piar, capital de Raúl Leoni.
Acosta é de fevereiro e Valdéz nasceu em abril, mas ambos os berços bem distantes, pois La Guaira está a 718km de Ciudad Piar. Quando estava para completar 14 anos, Acosta soube que um clube numa cidade próxima estava com vôlei feminino; Valdéz também ficou sabendo.
O Aragua Voleibol Club tocava projeto de base em Maracay, cidade a 146km de Acosta que não teve tantas dificuldades para se apresentar. No entanto, Valdéz teve uma parada bem insana, já que estava a mais de 720km de distância.
Venezuela e o mundo
Mas todo esforço valeu a pena, cada ponto foi abrindo portas do mundo para as meninas que dobraram treinos de 2006 a 2009, quando Acosta partiu de cara para o Cowley dos Estados Unidos; Valdéz seguiria no Aragua por mais três anos – em 2012 também deixaria o país para defender o argentino San Martín.
A Venezuela também seguiria o caminho político com muitas dificuldades, a economia na sofrência e, assim, o esporte continuava sendo a grande saída. Acosta e Valdéz sabiam disso desde que iniciaram nas bases do Aragua, empenharam-se além da conta para mudar de vida.
Depois dos Estados Unidos, Acosta jogou em Porto Rico, Finlândia, Suíça e Alemanha; em 2017 voltaria para a Venezuela, uma temporada no Deportivo Anzoàtegui, depois retomaria a estrada do mundo: Brasil/Minas Tênis, Japão, Itália e retorno ao vôlei brasileiro via Sesi Bauru.
Quanto a Valdéz, depois da Argentina teve Hungria, Alemanha, chegando ao Brasil em 2021 via Curitiba. Quando o mundo parou por causa da pandemia, ela retornou para a Venezuela mas aceitou portas fechadas e ousou novamente – rompeu barreiras da fronteira como refugiada, caminhou por dias até pisar em solo brasileiro em nome do vôlei.
Em 2022, Valdéz era anunciada no Maringá. Enfim, a ponteira cravava mais um ace vitorioso pela carreira. Na temporada seguinte seria Pinheiros, depois Minas Tênis e Osasco em 2024, estando agora no Fluminense.
SUPERLIGA
O Fluminense de Valdéz é o quinto colocado do nacional com 19 pontos para oito vitórias e três derrotas; o Bauru de Acosta vem logo atrás com 18 pontos, seis vitórias e cinco derrotas.
No ranking de pontuação, Valdéz é a decima terceira com 143, Acosta vem em décimo oitavo lugar com 134. Na retomada da Superliga, Valdéz vai com o Flu contra Maringá, depois de amanhã às 20h; na quarta-feira às 18h30, Acosta forma com Bauru contra Sorocaba.
