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A rampa da prefeitura: homenagem gloriosa a Osasco segue como símbolo do abandono

 Extra!
A rampa da prefeitura: homenagem gloriosa a Osasco segue como símbolo do abandono
janeiro 12
21:52 2018

Todo fim de ano Osasco tem como tradição decorar o Boulevar Ulysses Dante Batiston, exatamente em frente da prefeitura. É uma arte natalina e que já conquistou atenção de todo País. São milhares de lâmpadas, cores e tantos enfeites alegrando o visual da cidade nas festividades de fim de ano.

Claro que o cidadão curte tudo isso intensamente e as noites são de fotos, shows e muita diversão. Quanto mais fotos, melhor; e todo mundo procurando os melhores ângulos e efeitos. E quase todo mundo vai para um ponto mais alto em busca da melhor imagem. E que ponto mais alto seria esse?

 

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Sim, a decoração explora uma rampa situada num dos extremos do boulevard. Mas aquela armação de concreto não está ali como parte da decoração. Hoje tem moçadinha do skate que adora curtir ali, já que a rampa chega a 2,5m de altura e com um declive acentuado.

Fotos, moçada brincando… E com as festas de fim de ano já no passado, todo aquele cenário ainda está sendo desmontado; quem passa pelo local não presta mais atenção, muito menos à rampa que torna-se mesmo num absoluto concreto morto.

Então, por que foi construída? Essa pergunta tem uma resposta histórica. Está lá por ser parte de um projeto da prefeitura mas que foi abortado. E tem a ver com uma história gloriosa de Osasco, com o primeiro voo na América Latina em 7 de janeiro de 1910.

Sim, se estamos em janeiro, então essa rampa tem a ver com uma história de 108 anos e que o poder público de Osasco ainda não fez valer. Naquele 7 de janeiro, um engenheiro francês e que posteriormente se naturalizaria brasileiro, fez história com o primeiro voo na América Latina – quatro anos após Santos Dumont.

Verdade que Osasco guarda essa história, tem o museu que era o Chalé Brícola onde o francês Dimitri Sensaud de Lavaud morou e onde projetou o DSL (iniciais do próprio nome). O museu fica na avenida dos Autonomistas e de frente para avenida João Batista, palco dos 105 metros voados pelo engenheiro em 6 segundos e 18 décimos, a uma altura de 220 metros.

Esse é o resumo da história que está calada na rampa da prefeitura, no boulevard. O que falta na rampa, então? Justamente o objeto que fala dessa glória osasquense. Com participação de cidadãos o projeto para homenagear o feito de Dimitri foi aprovado quando Jorge Lapas era o prefeito (2012 a 2015). No último ano da gestão Lapas o projeto foi encomendado, réplica do Aeroplano São Paulo. Então foi construída a rampa para receber a peça cujo orçamento bateu R$400 mil – que nunca foram pagos.

A réplica do DSL tem 18 metros de asa e 16 metros de comprimento. Os profissionais responsáveis pela criação trabalharam arduamente porque o planejamento para entrega estava para outubro do ano passado – justamente mês de eleições municipais. Jorge Lapas foi derrotado e o prefeito agora é Rogério Lins. Os organizadores iniciaram 2016 tentando resolver o dilema, o caso segue sem destino e a rampa também segue esquecida. Mas qual fratura exposta, revela o emaranhado que é a burocracia política.

 

 

 

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Sobre o Autor

Marcio Silvio

Marcio Silvio

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