O Hino da Independência ressurge como trilha sonora da vitória eleitoral do presidente Lula e como afirmação de soberania – resposta ao trumpismo e à extrema direita (que chegou a defender intervenções estrangeiras). Ao bradar que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, Lula rebate essas ameaças e consagra o território nacional.
Nesse contexto, cabe muito bem trazer uma composição de Aldir Blanc e Maurício Tapajós. Imortalizada na voz de Elis Regina, Querelas do Brasil contrapõe o país real ante o Brazil caricaturado à versão americana.
Dois séculos antes de ser cantado ontem na Avenida Paulista, o Hino da Independência exaltava a soberania; nos anos 70, Querelas do Brasil pautava o país por identidade própria, voz própria e destino próprio.
A extrema direita apropriou-se da cores nacionais mas sob a bandeira dos Estados Unidos – movimento cultua o governo radical de Donald Trump. No entanto, os resultados das urnas mostram que o Brazil não cabe no Brasil.
O que se ouviu na Paulista foi justamente essa reivindicação. Não apenas a celebração de uma vitória eleitoral, mas a tentativa de recolocar a soberania nacional no centro da narrativa política. O Hino da Independência e Querelas do Brasil cantam a mesma pauta: quem fala em nome do Brasil?
Pressionado pelo Brazil da submissão estrangeira e vitorioso no primeiro turno eleitoral, o cidadão voltou às urnas para cantar a independência e exaltar o Brasil com S.
HINO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
A letra vem de um poema de Evaristo da Veiga em agosto de 1822 e ganharia melodia de Antônio da Fonseca Portugal. Também versado em música, dois anos depois a canção seria modificada por D. Pedro I em pessoa.
Frases soberanas do Hino da Independência:
– Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil
– Brava gente brasileira
– Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil
– Do universo entre as nações resplandece a do Brasil
QUERELAS DO BRASIL
Aldir Blanc e Maurício Tapajós confrontam Brazil e Brasil nos anos 70, crítica à influência estrangeira. Passados 50 anos e com o surgimento da extrema direita, o brasileiro vê a ascensão do culto à personalidade e símbolos americanos perfilados às cores nacionais.
Querelas são queixas ou lamentos, canção lançada em 1978:
– O Brazil não conhece o Brasil
– O Brasil nunca foi o Brazil
– O Brasil não merece o Brasil
– O Brazil tá matando o Brasil
