Fusão do PSB com o PPS servirá de alavanca para Alckmin em 2018

Maio 24
20:53 2015

São Paulo, 24 – Fundador e ex-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral classificou de “tragédia” a fusão do PSB com o PPS e disse que o objetivo da junção das duas legendas é pavimentar o caminho do atual governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, às eleições presidenciais de 2018. O paulista trava uma disputa interna com o correligionário mineiro, o senador Aécio Neves, pela cabeça de chapa do partido. “Na verdade, o PSB de hoje virou um pasto na disputa interna do PSDB às eleições presidenciais de 2018, da ala tucana ligada ao governador Geraldo Alckmin, na tentativa de fortalecê-lo na disputa interna com Aécio Neves”, disse Amaral, em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado.

Além de ser uma tragédia, “uma burrice e uma traição ao socialismo”, Amaral avalia que a fusão de seu partido com o PPS é compatível com a visão pragmática da nova direção da legenda, que privilegia o crescimento aritmético em detrimento da política. “É lamentável que, em vez de se tornar um desaguadouro dos quadros descontentes da esquerda, o PSB tenha optado por ser um ator secundário da direita”, disse, reiterando que a junção das siglas já está sendo arquitetada há muito tempo, com a finalidade de alçar Alckmin à cabeça de chapa do PSDB nas próximas eleições ao Palácio do Planalto.

Para o ex-presidente nacional do PSB, infelizmente a fusão das duas siglas já está dada. “A renúncia ao socialismo já foi feita, não é mais o partido de João Mangabeira, Miguel Arraes e Jamil Haddad.” Em reunião ocorrida na semana passada, os presidentes dos diretórios estaduais da legenda aprovaram, por maioria, a fusão com o PPS. A oficialização do acordo deverá ser feita no dia 20 de junho, na convenção nacional do PSB, que será realizada em Brasília. Nesse mesmo dia, o PPS também realiza sua convenção para autorizar a união. Com a fusão, a nova legenda será a quarta maior bancada da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, atrás apenas do PMDB, PT e PSDB.

Apesar das duras críticas, Amaral disse que ainda não definiu seu futuro partidário e que não pensa, no momento, em deixar o PSB, que ajudou a fundar a sigla. Fontes ligadas à legenda, que também estão descontentes com a fusão com o PPS, informaram ao Broadcast Político que não deverá haver uma decisão individual de desfiliação, mas uma ação coletiva está em estudo.

Roberto Freire

O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), não quis comentar as críticas feitas pelo fundador e ex-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral.

“Não vou comentar as declarações de Amaral, pois a nossa diferença é clara, enquanto eu apoiei Eduardo Campos (ex-governador do PSB que faleceu em acidente aéreo no ano passado, durante a campanha presidencial), ele apoiou Dilma Rousseff (presidente reeleita pelo PT)”, limitou-se a dizer Freire, ao Broadcast Político.

Capiberibe

O senador João Capiberibe (PSB-AP), tradicional quadro da ala considerada mais esquerdista do partido, avalia que a fusão com o PPS não é um problema chave no contexto atual da legenda. “A argumentação de que a fusão com o PPS seria uma guinada à direita não faz sentido, porque o PSB já deu essa guinada à direita lá atrás”, disse o senador ao Broadcast Político. “Nós, dos setores mais progressistas do PSB, já perdemos a luta interna”.

Ele avalia que essa derrota ficou evidente quando o partido decidiu apoiar a candidatura de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno da eleição presidencial do ano passado e, pouco depois, quando quadros históricos foram afastados da direção, Roberto Amaral da presidência da legenda e a deputada Luiza Erundina (SP) da Executiva Nacional.

Para ele, tanto PSB como PPS, dentro de um contexto que envolve também um recrudescimento em todo o Congresso, tendem ao que ele chama de “neoconservadorismo”. “Na representação parlamentar, há uma nítida representação da direita conservadora. Nesse aspecto, tanto PPS como PSB têm uma semelhança, têm quadros de esquerda históricos, mas têm uma forte presença desse ‘neoconservadorismo’.” Capiberibe está há 28 anos no PSB.

Para o senador, a tendência mais realista é que a fusão com o PPS seja aprovada no congresso extraordinário da legenda, agendado para 20 de junho. Ele não descarta, contudo, que os movimentos sociais do partido consigam reverter a fusão – só considera uma saída menos provável. “Os movimentos estão na vanguarda política, no contato direto com a sociedade, eles têm muita legitimidade para se posicionar. Agora, nem sempre os movimentos sociais estão ‘consensuados’ com a representação parlamentar”, afirmou o senador.

Nesta semana, filiados do PSB ligados ao movimento sindical publicaram um manifesto contrário à fusão. O movimento foi liderado por Joilson Cardoso, secretário sindical do PSB e única voz na Executiva Nacional contrária à fusão. Assim como o movimento sindical, o deputado Glauber Braga (RJ) tem condenado a fusão, dizendo que ela reforça o movimento do partido de se tornar um “satélite do PSDB” e destruir a origem socialista da agremiação de Miguel Arraes e Jamil Haddad.

Capiberibe acredita que o movimento contra a fusão pode ter chance de sucesso se conseguir se articular com maior clareza e se aumentar o grau de manifestações. O senador afirma, no entanto, que o maior empecilho à união com o PPS hoje não é a questão ideológica, mas a composição da direção da nova legenda. Segundo ele, tem crescido nos bastidores o receio de integrantes do PSB de terem de ceder espaço nas executivas e nos diretórios para os quadros que virão do PPS.  (Conteúdo Estadão)

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