Apesar de menor, protestos continuam a preocupar governo

Abril 13
01:01 2015

Um mês após as surpreendentes manifestações antigoverno de março, menos brasileiros tiraram suas roupas verdes e amarelas do armário para protestar contra a presidente Dilma Rousseff neste domingo. Ainda assim, os movimentos continuaram sendo expressivos e espalhados por várias cidades do país, mantendo o governo numa situação delicada, segundo cientistas políticos ouvidos pela BBC Brasil. Seu desempenho futuro, afirmam, é incerto e dependerá da recuperação da economia e do êxito do vice-presidente Michel Temer à frente da articulação política, função que acaba de assumir.

Os protestos ocorreram na maioria dos Estados e no Distrito Federal, em geral com números de manifestantes significativamente menores do que os observados nos protestos de 15 de março. Em São Paulo, a PM calculou o público na Paulista neste domingo em 275 mil pessoas, pouco mais de um quarto do estimado na manifestação de março. O Datafolha, que calculou em 210 mil o número de manifestantes na Paulista em 15 de março, diz que o protesto deste domingo reuniu 100 mil pessoas.

No Rio, organizadores estimaram os manifestantes em 25 mil e a PM, em 10 mil. Em Porto Alegre, havia 35 mil, segundo a PM, ou 40 mil, segundo organizadores. Em Brasília, 25 mil pessoas, segundo a PM (ou 40 mil, segundo organizadores), protestaram diante do Museu da República e do Congresso. Houve manifestações também em capitais como Belo Horizonte, Curitiba, Belém, Salvador, São Luís, Goiânia e Fortaleza. No total, levando-se em conta os cálculos das PMs estaduais, as marchas levaram às ruas ao redor de 500 mil pessoas, contra mais de 1 milhão em 15/3.

“Os protestos de hoje (domingo) são um fator de alívio e preocupação para o governo”, afirma José Álvaro Moisés, coordenador do grupo de pesquisa Qualidade da Democracia da USP. “Eles foram menores, mas a ocorrência sucessiva de manifestações, com tantas pessoas, é uma indicativo de deslegitimação que preocupa qualquer governo”, acrescentou.

Moisés esteve na manifestação de São Paulo nesta tarde e disse ter ficado preocupado com o “aumento do tom raivoso” dos manifestantes. Embora o apoio à defesa de um golpe militar seja baixo na sociedade, ele considera que elevação das hostilidades “dificulta uma saída democrática para a crise”.

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