Receita Federal de Osasco, teve 2,4 bilhões desviados por fiscais em benefício de 60 empresas

julho 28
22:58 2015

A corregedoria da Receita Federal de São Paulo apresentou hoje o resultado da Operação Paraíso Fiscal. Essa foi a mais longa apuração da Receita no estado de São Paulo; durou quatro anos. Desde 2011, 60 empresas e 32 pessoas físicas foram investigadas. Segundo os corregedores, a operação para identificar e prender funcionários corruptos da Receita Federal, rendeu o bloqueio bilionário de bens da quadrilha que agia na Delegacia da Receita Federal em Osasco.

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José Guilherme Antunes de Vasconcelos, Superintendente da Receita

 

Os investigados deixavam de autuar empresas de devedores da Receita em troca de propina. A corregedoria calculou a sonegação fiscal em dois bilhões e quatrocentos milhões de reais. “Quase metade desse valor já existe um patrimônio ou uma garantia direta ligada a esses valores para, uma vez terminada a fase de análise dos processos, nós possamos recuperar o crédito tributário para a União”, afirmou José Guilherme Antunes de Vasconcelos, Superintendente da Receita.

Dos dez funcionários da Receita Federal de Osasco, que foram investigados, seis já foram demitidos, dois estão presos e dois estão foragidos.  “O contribuinte que paga mal, paga duas vezes. Quem buscou, pagando para a corrupção, valores que ele deveria ter recolhido integralmente aos cofres públicos, sofreu uma ação longa e complexa da Receita, e agora vai pagar novamente”, informou nesta terça-feira (28) o superintendente da Receita Federal no estado, José Guilherme Antunes de Vasconcelos. Então, além do valor que pagou para a corrupção, inferior ao imposto devido, o empresário autuado irá recolher, com multa, os valores devidos à Receita Federal e à União, além de respondem a processos na Justiça, explicou.

MORTE

Um mistério ainda ronda as investigações da Polícia Federal, da Corregedoria da Receita Federal e da Procuradoria da República de São Paulo com a morte do ex-subdelegado da Receita Federal de Osasco, Jorge Luiz Miranda da Silva. Ele era responsável pelas denúncias que levaram as três instituições a desmontarem o esquema de corrupção que, segundo cálculos de policiais federais, pode ter provocado um prejuízo aos cofres públicos, que ainda pode chegar aos R$ 3 bilhões. Jorge Luiz estava recebendo ameaças de morte, segundo dizem seus colegas. Depois de ter denunciado o esquema de corrupção na Delegacia da Receita em Osasco e se sentir ameaçado, ele foi transferido, em janeiro de 2011, para a Delegacia Regional de São José dos Campos. Não chegou a atuar muito no novo posto, pois obteve licença médica.

Jorge Luiz ficou quase um mês desaparecido e, por pouco, não foi enterrado como indigente no cemitério de Queimados, na Baixada Fluminense, muito embora ao se acidentar com seu Chevrolet Montana (placa EVK 8954, de São Paulo) às 21h30 do dia 15 de maio  de 2011, 400 metros adiante do KM 193 da Via Dutra, pista em direção a São Paulo. A documentação regular do automóvel foi  o que permitiu ao policial rodoviário federal Marcos Alves Pereira o identificar ao registrar o Boletim de Ocorrência 01861/2011, na 55ª Delegacia Policial do Rio, em Queimados.

Ele morreu dois dias depois, no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, para onde foi levado no dia do acidente por uma equipe de socorro da Nova Dutra. Foi transferido para o IML no mesmo bairro da Posse, devidamente identificado, como consta do livro de registro. Mas, ainda assim, sua família ficou sem notícias suas por quase um mês. Na delegacia da Receita Federal de São José dos Campos sua ausência só foi sentida depois que venceu a licença médica e ele nem apareceu, nem deu notícias. (Informações colhidas no Site ConJur)

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