PMDB declara unidade e confirma candidatura a presidente em 2018

julho 16
13:30 2015

A cúpula do PMDB lançou nesta quarta-feira (15) uma ofensiva para divulgar o partido nas redes sociais e reafirmar sua disposição de lançar candidato próprio à Presidência da República em 2018, exibindo unidade em meio a crise que envolve a presidente Dilma Rousseff. Ao lado do vice-presidente Michel Temer (PMDB), principal articulador político do governo, os caciques da sigla defenderam o fim da aliança nacional com o PT nos moldes atuais –em que os petistas ficam com a cabeça de chapa– e disseram ser preciso apresentar “um novo projeto para mudar o Brasil”.

O discurso da candidatura própria não é novo, mas o movimento ocorre num momento em que a crise política e econômica que engolfa o governo se aprofunda, estimulando até mesmo articulações políticas a favor do impeachment da presidente. “Estamos abertos para alianças com todos os partidos. O PMDB quer ser cabeça de chapa em 2018”, disse Temer após lançar a plataforma digital da Fundação Ulysses Guimarães, ligada à sigla. No Palácio do Planalto, auxiliares da presidente ainda acham possível que Dilma recupere sua popularidade e assim convença o PMDB a seguir desempenhando o papel de coadjuvante que teve nos governos do PSDB e do PT.

A última vez que o partido teve um cabeça de chapa na disputa pela Presidência foi em 1994, com o governador Orestes Quércia (1938-2010), que acabou em quarto lugar. Além de Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-presidente José Sarney reafirmaram o discurso de candidatura própria e independência em relação ao PT. “O PMDB faz parte de uma aliança, mas sabe que, em 2018, quer buscar o seu caminho, que não é com essa aliança”, disse Cunha, que neste ano liderou votações que impuseram várias derrotas ao governo na Câmara.

A demonstração de unidade do PMDB ocorreu um dia depois de a Polícia Federal realizar buscas em residências e escritórios de congressistas da base do governo suspeitos de envolvimento com o esquema de corrupção descoberto na Petrobras, entre eles o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL). A ação policial elevou a tensão do ambiente político e provocou forte reação dos parlamentares atingidos e de Renan Calheiros, que também é investigado pelos procuradores da Operação Lava Jato, mas não foi alvo das buscas realizadas nesta semana.

‘TRANQUILIDADE’

No evento do PMDB, Michel Temer afirmou que a Operação Lava Jato está “abalando a natural tranquilidade que sempre permeou a atividade do povo brasileiro” e que o país precisa “buscar tranquilidade institucional”. “Não temos que nos impressionar com esses atos e levar adiante a ideia de uma grande pacificação nacional”, disse o vice-presidente. Cunha e Renan adotaram tom crítico à ação da PF. “Eu não sei o que eles querem comigo, mas a porta da minha casa está aberta. Vão a hora que quiser. Eu acordo às 6h. Que não cheguem antes das 6h para não me acordar”, ironizou Cunha ao ser questionado sobre a ação policial.

Renan afirmou que estuda ingressar com ação na Justiça contra o que considerou um abuso dos policiais, o de realizar buscas nas casas de Collor e outros dois senadores, Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) sem o acompanhamento da Polícia Legislativa. As buscas foram autorizadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que conduz os inquéritos sobre políticos investigados pela Lava Jato. Ele disse que pretendia se reunir nesta quarta com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, mas o encontro acabou cancelado. “Vou procurar o ministro Lewandowski, conversar um pouco sobre essa conjuntura. Acho que os Poderes, mais do que nunca, precisam estar voltados para as garantias individuais e coletivas.”  (Folha de São Paulo)

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