Pela primeira vez senador Aécio Neves é denunciado na Lava Jato; propina seria 300 mil

Janeiro 04
20:13 2016

O entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, Carlos Alexandre de Souza Rocha, afirmou, em delação premiada homologada pelo STF, que entregou 300 mil reais no segundo semestre de 2013 a um diretor da UTC Engenharia no Rio de Janeiro, que lhe disse que o montante teria o senador Aécio Neves (PSDB-MG) como destinatário. O trecho da delação de Rocha foi divulgado nesta quarta-feira 30 pelo jornal Folha de S. Paulo. Carlos Alexandre de Souza Rocha, que também é conhecido como Ceará, disse à Polícia Federal que, a partir de 2008, entregou remessas de 150 mil ou 300 mil reais a vários políticos. Segundo ele, foi apenas em 2000 que conheceu e começou a trabalhar com Youssef.

Em sua delação, Rocha afirmou que, em 2013, realizou “umas quatro entregas de dinheiro” a um diretor da UTC chamado Miranda, no Rio de Janeiro. Em uma dessas ocasiões, Rocha afirma que Miranda estava “bastante ansioso” pela chegada do dinheiro e que havia reclamado que “não aguentava mais a pessoa” lhe “cobrando tanto”. Perguntado sobre quem seria essa pessoa, o diretor teria respondido “Aécio Neves”, segundo o delator.

Rocha teria perguntado: “Aécio Neves não é da oposição?”. O diretor da UTC teria dito então o seguinte: “Aqui a gente dá dinheiro pra todo mundo, oposição, situação… todo mundo”. Rocha também estranhou o fato da entrega do dinheiro ter que ser feita no Rio de Janeiro, uma vez que acreditava que Aécio “mora em Minas”. Ao que Miranda teria esclarecido que o senador “tem um apartamento e vive muito no Rio”.

No ano seguinte, em 2014, a UTC declarou à Justiça doações de 4,5 milhões de reais ao comitê da campanha presidencial de Aécio Neves, do PSDB, e outros 7,5 milhões de reais à campanha eleitoral de Dilma Rousseff.

Ainda segundo o jornal Folha de S. Paulo, o diretor a que Rocha se refere seria Antonio Carlos D’Agosto Miranda, o diretor comercial da UTC no Rio. Em outro depoimento, o diretor financeiro da empreiteira, Walmir Pinheiro Santana, confirmou que Miranda “guardava e entregava valores em dinheiro a pedido” dele ou de Ricardo Pessoa, dono da UTC.

Santana e Pessoa, que também é delator da Operação Lava Jato, nunca mencionaram repasses a Aécio em seus depoimentos. Em resposta à Folha de S. Paulo, a assessoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que a citação de Rocha é “absurda e irresponsável” e tem “o claro objetivo de tentar constranger o PSDB, confundir a opinião pública e mudar o foco das investigações”.

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