“Não existe pauta de vingança”, diz Eduardo Cunha no dia seguinte

julho 19
13:41 2015

Um dia depois de anunciar rompimento com o governo, autorizar a criação CPIs desgastantes para o governo e pedir a adequação de 11 pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse neste sábado, 18, em uma rede social, que não existe uma “pauta de vingança”. Cunha utilizou sua conta no microblog Twitter para se manifestar em 20 recados. “Não existe pauta de vingança e nem pauta provocada pela minha opção pessoal de mudança de alinhamento político”, afirmou o presidente da Câmara. “Não tenho histórico de ajudar a implementar o caos na economia por pautas que coloquem em risco as contas públicas”, disse Eduardo Cunha.

Cunha disse ainda que exercerá sua militância “defendendo a posição diferente da que defendia antes”, mas reafirmou que, como presidente da Câmara, irá se portar “da mesma forma que venho me conduzindo, com independência e harmonia com os demais Poderes”.

O peemedebista negou que utilizará a CPI da Petrobrás, cujo presidente é o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), seu aliado, como arma de retaliação. “Quanto à CPI, ela tem sua independência e autonomia, tanto que eu mesmo, em respeito a ela, já fui lá depor espontaneamente”, escreveu o presidente da Câmara. Nos bastidores da comissão, no entanto, o comentário é que Motta apenas aguarda da divulgação da delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, para aprovar o requerimento de convocação do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil). O empreiteiro disse que o ministro recebeu R$ 250 mil para sua campanha ao governo de São Paulo em 2010 e que o dinheiro teria origem no esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás.

Desmentido. Cunha também usou a rede social para desmentir notas publicadas em revistas neste fim de semana que dizem que o presidente da Câmara avisou ao vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, de que ele seria citado por delatores. Cunha explicou ao Estado que, na reunião que teve com Temer na noite de quinta-feira, 16, disse que, pelo rumo que as investigações da Lava Jato têm tomado, ele não se surpreenderia se o nome do vice-presidente também fosse envolvido em alguma delação premiada.

“Não tratei com ele em nenhum momento de futura citação dele por delatores. Isso não faz parte dos nossos diálogos”, escreveu Eduardo Cunha na rede social. Cunha reafirmou que sua decisão de migrar oficialmente para a oposição foi tomada em caráter pessoal e que defenderia essa postura no congresso do PMDB, em setembro. “Não busquei e nem vou buscar apoio para isso,a não ser o debate na instância partidária competente”.

Diante das avaliações de que está isolado e enfraquecido, Cunha reagiu. “Não busquei e nem vou buscar apoio fora do PMDB,até porque cada partido tem e terá a sua postura dentro da sua lógica”, afirmou. “O meu gesto não significará que estou buscando ganhar número para enfrentar e derrotar governo”.

Eduardo Cunha voltou a “desmentir com veemência” a delação do lobista Julio Camargo, que acusa o presidente da Câmara de cobrar US$ 5 milhões em propina. “Quando alguém cita um fato mentiroso, inventado, após várias versões diferentes, só existe uma resposta que desmentir com indignação”, afirmou. ( Conteúdo Estadão)

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