Mesmo negando jornal Estado confirma namoro de Fernando Haddad com partido de Marina Silva

outubro 24
12:58 2015

O PT, que neste ano perdeu a senadora Marta Suplicy (SP) para o PMDB, não aceita a possibilidade de Haddad ir para outra legenda antes de concluir seu mandato, que vai até o final do ano que vem. O entorno de Haddad acha que, pelo PT, ele não tem chances de se reeleger. O prefeito também teme que o desgaste do partido por causa das denúncias possa dificultar sua reeleição. Por enquanto, conforme o Estado apurou, a opção preferencial de Haddad seria integrar a Rede, legenda recém-criada pela sua amiga e ex-colega de Ministério Marina Silva. Em público, o prefeito nega a movimentação.

Conforme a nova regra eleitoral, fica permitida a troca de partido até seis meses antes das eleições. Será considerada justa causa para a desfiliação “mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário”. Apesar da pouca estrutura da nova legenda, Haddad está empolgado com as recentes declarações de Marina sobre a necessidade de um novo “campo de esquerda” no espectro político brasileiro após a crise do PT. Se for para a Rede, o prefeito de São Paulo seguirá o mesmo caminho de outros ex-petistas que estavam insatisfeitos, como o deputado federal do Rio Alessandro Molon. A possibilidade provoca calafrios na cúpula petista que vê na reeleição de Haddad a chance de o partido se salvar de um “tsunami eleitoral” nas eleições municipais do ano que vem.

Neca Setúbal, o elo

Além de Neca, as consultas de Haddad incluem um grupo restrito de intelectuais e acadêmicos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O flerte do prefeito com os tucanos não se restringe à relação com FHC. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), teria oferecido ao petista a possibilidade de ingressar no PSB. Haddad tinha excelente relação com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto no ano passado.

Ex-presidente

As dificuldades para a saída do prefeito do PT, no entanto, são muitas. Haddad administra um dos maiores orçamentos do País e é visto por seus colegas e correligionários como a maior esperança de renovação do partido. Outros entraves passam pela relação direta de Haddad com Dilma. O prefeito se queixa da falta de ajuda financeira do governo federal para sua gestão, mas mantém apreço pela presidente, que ele exclui do que chama de “crise ética”.

Conforme um dos assessores de Haddad, o futuro dele no PT também depende do que vai acontecer com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho político e responsável pela candidatura vitoriosa à Prefeitura de São Paulo em 2012. A decisão ainda não está tomada. “Não posso fazer isso com o Lula agora”, teria dito.  (Estado)

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