Lula contrata outro advogado por pressentir que algo grave possa acontecer

Janeiro 14
11:45 2016

As investigações das operações Lava Jato e Zelotes, incentivaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reforçar sua equipe de advogados. Segundo a Folha de S. Paulo, Lula contratou o criminalista Nilo Batista para fazer parte da sua defesa.

Segundo aliados, Lula “tomou consciência de que algo mais grave pode acontecer”. A publicação recorda que, nesta semana, o delator Nestor Cerveró citou Lula diretamente em um negócio investigado na Lava Jato.

Nilo Batista foi governador do Rio de Janeiro em 1994 e é considerado um dos principais criminalistas do Estado.

Lula chegou cogitar convidá-lo para assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal em 2003, mas optou por Cezar Peluso, por sugestão do então ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Batista disse à reportagem da Folha que está trabalhando de graça para Lula. No entanto, o jornal estima que os honorários dos advogados da Lava Jato variem entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, mas alguns figurões chegam a cobrar R$ 15 milhões pelo trabalho.

Batista declarou que sua estratégia será “mostrar movimentos processuais e as hipóteses fantasiosas” utilizadas para “criminalizar” o petista.

“Há um esforço para a criminalização do ex-presidente”, afirmou o advogado, que preferiu não atribuir a prática a nenhuma pessoa ou órgão. “Não quero fulanizar.”

A cúpula do PT entende que recorrer a um criminalista experiente foi uma maneira de tentar evitar “o ambiente criado para a prisão de Lula”.

Auxiliares de Dilma Rousseff também ficaram satisfeitos com a decisão, pois consideram como a profissionalização da defesa do petista, ainda tido no Planalto como principal fiador do governo.

Defesa

Batista se une aos advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira. O criminalista foi indicado pelo deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), amigo de Lula e que tem coordenado as iniciativas jurídicas do PT, no Congresso, em defesa do governo.

Ainda de acordo com a Folha, o ex-presidente não é acusado em nenhum dos processos em que seu nome aparece. Ele apenas é investigado pela Procuradoria da República no Distrito Federal sob suspeita de favorecer a Odebrecht, que pagou palestras e viagens do petista a países onde fez obras financiadas pelo BNDES.

Porém, Cerveró disse em delação que foi indicado por Lula para cargo na BR Distribuidora como gratidão pela contratação da Schahin Engenharia. Segundo Cerveró, o negócio serviu para quitar empréstimo de R$ 12 milhões, no Banco Schahin, que saldou dívidas do PT.

A reportagem destaca que Lula negou a versão e afirma que nunca tratou “com qualquer pessoa sobre supostos empréstimos ao PT” e que Cerveró foi indicado pelo PMDB. (Notícias ao Minuto)

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