Exoneração do general Mourão expõe a Democracia Ltda. do Brasil?

 Extra!
Exoneração do general Mourão expõe a Democracia Ltda. do Brasil?
dezembro 10
22:27 2017

A liberdade é amplamente vigiada na democracia brasileira. Tudo é permitido sim, mas convenhamos, há um conjunto de nãos por aí e que fazem dessa liberdade um produto limitado. A história recente do Brasil registra o impeachment da presidente Dilma Roussef e com toda oposição de mãos dadas buscando esse objetivo. Para eliminar aquele governo, tudo era permitido se dizer e fazer, por ser em nome da democracia e da livre expressão.

Mas agora o Brasil tem um caso na contramão dessa liberdade e que vem da alta patente do Exército – e com o já conhecido general Mourão. Ele voltou a bravejar contra o governo Temer mas dessa vez recebe punição imediata – exonerado. Quem manda nas Forças Armadas é o presidente da República e, assim que soube da ofensiva do general, acionou o ministro da Defesa e Raul Jungmann anunciava a guilhotina – isso tudo na tarde de ontem.

O ministro disse que estava atendendo pedido do ministro do Exército, mas é sabido que trata-se de uma contenção política e não militar. Dito e feito, o general foi exonerado da Secretaria de Finanças e fica à disposição da Secretaria-Geral do Exército.

Não são todos brasileiros que sabem da Ternuma. O nome resume ‘Terrorismo Nunca Mais’, grde militares que apoiam o regime que tomou conta do País de 1964 a 85. Mourão estava falando a esses militares quando fez as duras críticas ao presidente Temer – também aos ex-presidentes Dilma Roussef e Luís Inácio da Silva, o Lula. O general não usou de paralelas, não fez trocadilhos ou qualquer tipo de parábola. Foi direto no queixo de Michel Temer dizendo que o governo vai aos trancos e barrancos e que tenta se equilibrar mediante balcão de negócios.

Na época da chamada ditadura, qualquer manifestação contra o regime ganhava reação imediata e abafadora, tudo em nome da democracia e contra os subversivos; agora é um militar que prova dessa pressão. Claro que a história outra, o general não vai para um porão militar para ser torturado, mas sofre com o cassetete da democracia – falou o que não devia e está pagando o preço por isso. Por outro lado, essa medida reacionária do governo não expõe que a liberdade de expressão, de fato é censurada?

O Exército pune um dos grandes filhos por conta de manifestação política, mas atendendo apelos da própria política. Isso também deixa em aberto aquela velha e temerosa rinha da ditadura: se esses militares punem o general, como tratariam o cidadão comum caso estivem novamente assentados em Brasília?

Muitos da alta patente militar são coniventes com a política e se dão bem com todos os governos; o general Mourão não faz parte desse grupo mas ele também não está só. E aqui é o ponto: o racha nas Forças Armadas pode acontecer mesmo, com o general ganhando mais aliados de farda e, mais que isso, ganhar o apoio popular. Ou o Exército cuida muito bem dessa água em ebulição ou vai se ver numa situação de xeque, pois se Mourão e outros da alta patente não se calarem, podem mesmo criar um efeito bumerangue.

 

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Marcio Silvio

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