CRISE: “Trancar Dilma, Temer e FHC numa sala”, diz o empresário Abílio Diniz em evento

setembro 01
15:48 2015

“Para os chineses, crise significa perigo e oportunidade. E é assim que eu gosto de ver a crise”. Foi com essa frase que o empresário Abilio Diniz, sócio da BRF e Carrefour, começou sua palestra sobre como sair da crise no evento EXAME Fórum, que acontece nesta segunda-feira no Hotel Unique, em São Paulo. O vice-presidente Michel Temer, o juiz Sérgio Moro e o ministro da Fazenda Joaquim Levy também participam. “O Brasil é mais forte que suas crises e seus governos”, disse o empresário. “Já vivi tanta coisa e não é nem de longe a pior crise, nem de perto”.

Para Abilio, a crise no Brasil é política e não econômica. “Está na hora dos políticos se entenderem. Tem que jogar todos os maiores políticos desse país, Dilma Rousseff, Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso, trancar em uma sala e não deixar eles saírem de lá sem um acordo”, afirmou o empresário. O Brasil tem alguns nós estruturais, como o da aposentaria, que precisam ser resolvidos.

“Precisamos nos reformar com reforma política, com a imensa teia de aranha que é o sistema tributário brasileiro”, afirmou. “É preciso reorganizar o país, mas isso só vai acontecer se os políticos se entenderem”. Questionado pela plateia sobre qual seria sua reação se um líder chegasse com déficit em uma de suas empresas, o empresário foi enfático:

“Minha vontade seria mandá-lo embora. Mas, como presidente do conselho, também é minha obrigação questioná-lo, estimulá-lo, ajudá-lo a corrigir”, afirmou. “De novo: não há nada mais para sugerir ao país do que uma reforma política”.

Olhar o espelho

O empresário acredita ainda que não adianta colocar a culpa da situação das empresas na presidente ou ministros. “Todos estão em um fogo cruzado, sem conseguir colocar na prática o que pretendem e precisam fazer”, disse ele. “Mas, em vez de olhar a janela, é preciso olhar o espalho e ver no que posso melhorar”. Se as empresas não se tornarem competitivas, elas só darão espaço para os concorrentes que estão de fora, acredita o empresário. “E garanto, quando o país voltar a crescer, crescerá muito”, disse. Para ele, é preciso que as empresa e pessoas, assim como o governo, entendam que é preciso produzir mais – sem deixar de acreditar no país.

Investimento, liderança e capacitação seriam as armas para que o país seja viável, em todos os aspectos, assim como as empresas. (Exame)