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Una cubana bien osasquense

 Extra!
abril 21
18:36 2015

Idioma diferente sempre é um probleminha, mas nada tão sério. Assim, comunicação à parte, o que mais pegou na adaptação no Brasil foi mesmo toda novidade e modismos desse país multicultural. Mas isso também é fichinha para Kenia Carcaces. Afinal, a cubana é viajada no vôlei e tem o espírito cosmopolita.

Estilo tranquilo, é extrovertida e também é um tanto tímida, mas em pouco tempo de Brasil já está com samba no pé. E jogando vôlei, afinal é por isso que transferiu-se para Osasco, destaca-se na ponta de um dos finalistas da Superliga Feminina.

Primeira temporada da cubana no Brasil e, de cara, disputando o principal campeonato do vôlei nacional. Essa é Kenia Carcaces, a única estrangeira no elenco do Molico Osasco, depois das passagens da sérvia Sanja Malagurski e da italiana Caterina Boseti – que não deram muito certo na temporada anterior.

Carcaces já tem o título do Campeonato Paulista e também do Top Volley, e agora está de olho no da Superliga – que é o caneco da vez. Está muito motivada pra buscar esse pódio, e na final do próximo domingo contra o Rio de Janeiro, entra em quadra como a terceira melhor atacante do nacional e a sexta maior pontuadora.

Dentro do Molico Osasco, Carcaces é a maior atacante com 275 pontos até agora. “É meu primeiro ano no Brasil e já me sinto bem adaptada”, disse ela. “Não é fácil jogar aqui porque o nível é muito bom. Melhorei como jogadora em diversos aspectos, como no ataque, pois aqui tem que atacar com mais inteligência porque as centrais são muito boas no bloqueio”, continuou.

Aos 29 anos, Kenia Carcaces tem 1,90m de altura e deu aquela famosa escapadinha de Cuba em 2011, estabelecendo refúgio em Zurich, Suíça. Ali, ficou apenas treinando por dois anos até ser liberada para jogar pelo Volero, destacando-se geral.

Ela servia a seleção cubana nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara em 2011 quando aumentou a lista de foragidos de Cuba. Antes, jogou o Pan do Rio de Janeiro em 2007, e no ano seguinte estava com a seleção nacional nos Jogos Olímpicos de Cuba.

O vôlei está na vida dela desde que tinha 9 anos. Ainda adolescente, aos 14 anos, já integrava a seleção nacional. No entanto, a cubana não gosta de falar sobre a deserção da seleção em 2011.

Ela não alimenta expectativas de ser novamente convocada por Cuba para os Jogos Olímpicos do Rio, ano que vem. Como que já aceitando essa ausência, Carcaces disse que vai torcer pelas amigas do Molico Osasco que estarão na seleção brasileira.

Cuba tem uma ficha importante de atletas que romperam a fronteira esportiva do país, atualmente espalhados por todo mundo e em diversas modalidades de alto rendimento – Carcaces está nessa lista.

O governo cubano já não se desvia desse vexame e parece que começa a tratar do problema ao negociar liberação de atletas quando há propostas internacionais – um modo emergencial para tentar impedir deserções em série.

No mais, há um estudo profundo no país quanto a anistia. Jorge Polo é o vice-presidente do Instituto Nacional de Desportos, Educação Física e Recreação, órgão que cuida diretamente do esporte cubano.

A anistia é um assunto em debate, isso abriria as portas de Cuba aos jogadores da dispersão e devolvendo-lhes o direito de reintegração às respectivas seleções do país. Por outro lado, Jorge Polo avisa que não há previsão para a anistia entrar em pauta.

Política à parte, com os 279 pontos na Superliga, Carcaces é a 3ª melhor nesse fundamento do nacional, e no ranking geral das melhores a cubana aparece em 6º lugar. (Márcio Silvio)

Ela disse que foi muito bem recebida em Osasco e que agora já está completamente adaptada e que adora encarar um bom churrasco. (Fotos, João Pires)

Ela disse que foi muito bem recebida em Osasco e que agora já está completamente adaptada e que adora encarar um bom churrasco. (Fotos, João Pires)

 

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