Peso leve de Osasco luta por título intercontinental na Alemanha

 Extra!
dezembro 18
14:19 2015

Esse cara é mesmo marrento, duríssimo e que não tem medo de ameaça alguma. Se o assunto é luta basta marcar, assinar, pagar o que está acertado e pronto, lá está ele com sangue nos olhos para fazer o que mais gosta, dar socos. Essa é a batalha diária do pelo leve Eduardo Reis, um atleta com carreira independente no boxe (sem empresário) e que está para escrever mais uma ousadia no quadrilátero.

Não faz tanto tempo assim, Eduardo Reis estava nos Estados Unidos lutando pelo título mundial. Não deu, mas perder faz parte da rotina de quem está na luta. Manteve o foco e o ritmo à espera de nova oportunidade, e agora está arrumando as luvas para mais um desafio que chegou.

Eduardo Reis está indo para a Alemanha em busca do cinturão vago da Federação Internacional de Boxe, e lá ele enfrenta o turco naturalizado Yavuz Ertuerk, atleta muito forte com 20 vitórias, sendo 16 por nocaute e com apenas uma derrota.

Euuterk reside em Colônia e está em casa, pois o duelo acontece em Bayern. Está em jogo o título mundial vago Intercontinental dos leves e o brasileiro de Osasco viaja dia 25 para lá, chegando em Bayern com pouco tempo para se adaptar já que a luta acontece três dias depois, 29.

Com 28 anos, o turco-alemão é acostumado a lutar apenas dentro dos próprios domínios. Portanto, Ertuerk é um atleta bem doméstico e não dado a se aventurar como faz o osasquense. Todos os combates dele foram na Alemanha, mas no ano passado fez um duelo na Polônia e tem dois combates na Turquia.

Mas não é a primeira vez que ele luta por cinturão. Em 2010 ele foi campeão em cima do alemão Jimmy Lang e levantou o cinturão dos leves do Conselho Global de Boxe, entidade sem expressão mundial. No entanto, não deixa de ser um título.

No ano seguinte ele voltaria a lutar por título, mas foi quando conheceu a primeira derrota – para o queniano Nasser Athumani, em julho de 2011. Ertuerk perdeu no quintal de casa, já que esse duelo foi na cidade dele, Colônia – perdeu por pontos e foi obrigado a aplaudir o queniano campeão pela Organização Internacional de Boxe.

No entanto, três meses depois eles estava novamente no ringue para buscar o cinturão da União Mundial de Boxe, e foi campeão da versão alemã sobre o turco que também mora na Alemanha, Sabri Ulas Goecmen, nocaute técnico no 3º assalto.

Sedento por mais cinturão, o campeão voltaria a lutar em dezembro de 2012 para ficar com o título da União Mundial de Boxe e contra outro turco-alemão, Halit Tanriverdi – com vitória por nocaute técnico no 2º round.

No final do ano passado, eis o fominha Yavuz Ertuerk atrás do quarto cinturão, e conseguiu com nocaute técnico no 3º assalto sobre Adil Rusidi, da Bósnia e Herzegovina, valendo o título Báltico da Fundação Mundial de Boxe.

Certo, o adversário de Eduardo Reis é campeão dos leves do Conselho Global de Boxe, campeão alemão da União Mundial de Boxe e campeão báltico pela União Mundial de Boxe, além do título báltico da Fundação Mundial de Boxe. E no próximo dia 29 ele quer mais um para a coleção.

Acontece que o alemão ostenta cinturões por categorias inexpressivas mesmo, e vem crescendo em cima de adversários igualmente inexpressivos. O osasquense Eduardo Reis é o cara mais perigoso que se apresenta diante do alemão.

E quanto ao brasileiro, enfrentar caras durões é parte da rotina. Verdade que já bateu nuns mãos de pelica por aí, mas isso faz parte da carreira de todo lutador – nenhum pugilista enfrenta barras pesadas o tempo todo.

As porradas profissionais de Eduardo Reis começaram em 2008 com nocaute no 2º round em Rafael Senhore. Ele era um rapaz de apenas 19 anos, e dava o primeiro passo para chegar ao cartel de 24 vitórias com 18 nocautes, e apenas duas derrotas.

Eduardo Reis estreou em 2008 e teve a primeira derrota cinco anos depois. Foram 11 vitórias até maio de 2013, quando tomou nocaute de Edílson Rio no 2º round.

O osasquense se reabilitaria com duas vitórias seguidas, mas em junho do ano passado voltaria a perder. Mas atenção porque essa derrota ainda tem sabor de vitória para ele, já que Eduardo Reis deu aquele sufoco no americano Noah Zuhdi, luta realizada em Oklahoma City e valendo o título mundial.

O americano levou por nocaute técnico. “Mas eu fiz o cara dobrar os joelhos!”, afirma Eduardo Reis, destacando que mandou knockdown que balançou o campeão. “Só que ninguém viu isso”, lamenta o brasileiro, dizendo que foi vítima da patriotagem americana. “É assim mesmo. Lutando na casa do campeão a gente precisa lutar o dobro que ele ou nocautear.”

Para o combate que vem, o osasquense treinou barbaridade, mas em termos de luta ele atuou pela última vez em agosto, nocaute sobre Edmundo dos Santos no 2º round. Eduardo Reis não leva muito isso em conta porque no Brasil ele praticamente não tem adversário. Ele dá atenção mesmo aos treinos, mas admite que se comparado com Europa, México e Estados Unidos, o nível de treino do pugilista no Brasil fica muito abaixo.

Portanto, dia 29 tem osasquense lutando pelo título vago da International Boxing Federation, o cinturão Intercontinental. Ele duela contra o turco-alemão Yavuz Ertuerko no Antonioushaus, em Bayern. E como no ano passado quando foi para o título mundial nos EUA, o valente Eduardo Reis segue sozinho nessa empreitada – patrocinador zero. Vai por conta, alguns amigos dando aquela forcinha, mas fica nisso. Nenhum apoio master, nada de reconhecimento. (Márcio Silvio)

Osasquense vai na cara e na coragem.

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Nos EUA: em julho do ano passado ele desafiou o campeão Noah Zuhdi

Nos EUA: no ano passado ele desafiou o campeão Noah Zuhdi.

 

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