OSASCO VÔLEI 20 ANOS: do BCN ao Finasa

 Extra!
Janeiro 20
17:07 2016

Ao transferir-se de Guarujá para Osasco em 1996, o BCN já era um projeto forte no vôlei feminino, tanto que fechara a temporada anterior com o vice-campeonato da Superliga. Era treinado por Cláudio Pinheiro e no elenco tinha como destaque Heloisa Roese, Patrícia Cocco, Fernanda Doval, Sandra, Márcia e Ana Flávia. A mudança para Osasco resultou em mudanças também no comando técnico.  A diretoria encerrou com Cláudio Pinheiro e para o lugar contratou o técnico Cacá Bizzocchi; outra novidade foi o aprofundamento do trabalho nas categorias de base – novo investimento do BCN, lembrando que por trás dessa marca estava o Bradesco.

Em 1996 o prefeito de Osasco era Celso Giglio e José Carlos dos Santos era o secretário de Esportes, com Juvenal Ferreira diretor. O Bradesco estava satisfeito por ver a equipe em quadra osasquense, já que é na cidade que o banco tem sede. E para fazer bonito na primeira temporada em casa, o elenco é renovado e os destaques do ano de estreia são Andréia Marras, Márcia Fu, Ângela Moraes, Josiane, Bia e Ana Cládia – time campeão paulista de 1996 e 3º colocado na primeira Superliga que disputou como Osasco.

Na temporada seguinte, 1997, sai o técnico Bizzocchi e o BCN contrata Josenildo de Carvalho e com ele chegam Letícia, Andréa Teixeira, Mariana, Carla Morelli e Simone Storm. Mas a equipe não fez uma boa Superliga dessa vez, sendo eliminada nas quartas-de-final. Para a temporada 1998 o BCN investe forte e contrata a americana Danielle Scott e reforça a rede com Gisele, Roseli e Sônia. Com essa nova formação o time chega a mais uma final de Superliga, mas perde o título para o Leites Nestlé. Achando que a falha era mais técnica do que de conjunto, nova mexida no comando e tem a chegada de Sérgio Negrão para 1999, e Negrão se apresenta com um jovem assistente, Luizomar de Moura.

Então bate uma das grandes contratações do BCN, a atacante Ana Moser, formando com Janina, Andréa Teixeira e Renata, mais a ponteira Jaqueline – todas campeãs do Pan-americano de Winnipeg 99. Um timaço e que foi papando os campeonatos internos como Taça São Paulo, Jogos Regionais de São Bernardo e Jogos Abertos de Araraquara. Acontece que tem chamada da seleção brasileira e o técnico Negrão perde as principais jogadoras e, com isso, o BCN fica fora do título do Campeonato Paulista. Mas o pior viria depois com lesão gravíssima de Ana Moser – sem conseguir recuperar o joelho ela surpreende ao anunciar aposentadoria. Portanto, 1999 foi mesmo de altos e baixos para o time que contava apenas 3 anos de Osasco.

Tentando arrumar a casa, em 2000 chega a líbero Ricarda. No entanto, nenhuma evolução eficaz do BCN ainda e, naturalmente, a permanência de Sérgio Negrão seguia ameaçada. E não deu outra, pois em 2001 a diretoria mexe mesmo e contrata José Roberto Guimarães. Mas Negrão não deixa o BCN, ficando como gerente do projeto. Zé Roberto indica e o clube contrata Virna, Valeskinha e Arlene Xavier, e também volta com Patrícia Cocco. A resposta foi na hora com o título do Campeonato Paulista, o título do Grand Prix e do Salonpas Cup. Mas na Superliga o BCN seguia na fila, mais uma vez vice-campeão.

Então vem a temporada 2002 e o BCN voa baixo conquistando tudo até chegar à final da Superliga. E após 7 anos de busca a equipe faz uma final espetacular e levanta o caneco, primeira conquista de Osasco. E em 2003 o time contava com outras feras do vôlei brasileiro como Fernanda Venturini, Paula Pequeno, Érika e Bia. E além de Valeskinha, todas eram selecionáveis como o próprio técnico Zé Roberto.

Nessa temporada o Bradesco decidiu acabar com o BCN e para o lugar anunciou o Finasa. Apenas mudança de nome e nenhuma alteração no elenco ou no projeto. E como Finasa e contando com esse time de estrelas, Osasco chegou a 20 jogos sem derrota e levou o bicampeonato da Superliga de forma implacável.

Em 2004 uma outra grande atleta vestia o uniforme osasquense – Mari. Mas ela também era da seleção brasileira e com outras cinco jogadoras deixaram Osasco, e todas foram defender o Brasil nos Jogos Olímpicos de Atenas, que terminou em 4º lugar. De volta ao Finasa, elas deram aquele gás e o time foi tetracampeão paulista, vice do Salonpas e festejou o primeiro título do Top Volley na Suíça. A grande fase seguiu na sequência da temporada com o tricampeonato nacional. A ponteira Paula Pequeno, que estava fora de jogo por contusão no joelho esquerdo, voltara para a disputa do nacional e foi fundamental para a conquista em cima do rival Rexona.

Festa osasquense e fim de contrato com o técnico Zé Roberto, que não renova em 2005. O assistente dele era Paulo Cocco, que assumiu como titular. Mas outras baixas aconteceram: saíram Érika, Dani Vieira, Nikolle Del Rio e Ana Cristina. Esse desfalque coletivo forçou o novo técnico a promover a subida de uma jovem que se destacava na categoria juvenil desde os tempos do BCN – uma mineirinha explosiva, a central Adenízia, até hoje titular no time de Osasco. Mas Paulo Cocco não permaneceu e a diretoria decidiu renovar, anunciando o novato Luizomar de Moura em 2006.

Luizomar entra com a ponteira Natália e o time decola. Mas apesar do pentacampeonato paulista o Finasa não se deu bem no Top Volley (3º lugar), e a torcida precisou se despedir da ponteira Paula Pequeno – deixava as quadras para ser mamãe. Osasco estava batalhando na Superliga e perdeu feio no ataque com essa baixa. No mais, a ponteira Mari vinha de séria contusão no ombro direito e não correspondia. Nesse momento instável quem surpreendeu foi uma ponteira um tanto desconhecida, Soninha. Ela jogou barbaridade a ajudou na reação osasquense até a decisão do título nacional contra o Rexona, jogo em melhor de cinco e com o Finasa ficando com o vice-campeonato.

O time já contava com Paula Pequeno e Carol Albuquerque, e para 2008 contratou outras duas grandes feras, Thaísa e Sassá, jogadoras que vinham do ouro olímpico em Pequim 2008. Outra importante contratação foi da líbero Camila Brait, que chegou juntamente com a central Bárbara Bruch e a oposto Lia, mais Ana Tiemi. Mas seria uma temporada extrema para o Finasa, pois venceu tudo, desde o Campeonato Paulista ao tetra do Salonpas, mais o título da Copa Brasil. Só que na Superliga deu novo duelo contra o Rexona e nova derrota. Logo após aquela final no Maracanãzinho, abril de 2009, o Bradesco informava o encerramento das atividades no vôlei profissional – era o fim do vôlei feminino de Osasco após 13 anos de parceria vitoriosa. Mas a história não acabaria assim. (Márcio Silvio)

18. BCN 2

Márcia Fu

Márcia Fu

18. BCN 1

Ana Moser

Ana Moser

18. Finasa 2

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