Mestre Godoi, a marca do jiu-jítsu paulista

 Extra!
dezembro 07
01:02 2015

São quase três décadas de kimono. Quando iniciou no jiu-jítsu ele era um rapaz querendo apenas treinar, mas em pouco tempo foi crescendo e logo o nome dele começou a circular pelos tatames. Hoje e quando se fala em Roberto Godoi, o nome se casa imediatamente com o próprio jiu-jítsu. Afinal, o mestre é mesmo uma lenda em ação, que de atleta e lutador evoluiu a luta para empresa de arte marcial.

Roberto Godoi é uma marca tão forte que quando ele convoca para o exame anual de graduação, precisa de um lugar realmente monstro para receber atletas de todas as partes. Neste domingo, por exemplo, um batalhão de alunos se aglomerou para a sonhada troca de faixa e num evento marcante para todos, dos mais novos aos antigões que entram na faixa-preta. Foram 950 atletas em volta do mestre.

Para eles, usar o kimono da G13, equipe do mestre Godoi, é mais que lutar jiu-jítsu, é quase como elevar o treino a um nível religioso. Em Osasco, a G13 está sob responsabilidade do mestre Charles Duende, nome que segue os passos do mentor, pois Duende vem aterrorizando tatames por toda parte, sem chance alguma para os adversários.

Apesar de todo sucesso do jiu apresentado pela G13, a ordem ali é humildade abaixo de zero. Se o carinha se acha o rei das finalizações, se gosta de humilhar nos rolas dos treinos, então logo vai perceber que não tem espaço ali. Isso porque o mestre Godoi cresceu na arte suave (nome aportuguesado dessa técnica de luta japonesa) aprendendo a se diminuir, ou seja, teve um mestre disciplinador e que sempre valorizou a humildade e o respeito.

Ele iniciou no tatame em 1988. Faz tempo. À frente dele estava o mestre Marcelo Behring, já falecido. Os anos 80 foram ferozes para o jiu-jítsu por conta do vale-tudo emergente. No cinema, Jean-Claude Van Damme explodia as telonas com O Grande Dragão Branco, filme que explorava o vale-tudo entre várias artes marciais.

Lutas, desafios, brigas e confrontos de rua formaram a base do que viria a se tornar o atual MMA de agora. Mas nos anos 80 a coisa era brutal e o jiu-jítsu mostrava toda potência ao aniquilar geral. No entanto, essa fúria alterava a imagem da arte suave a um status de badernagem e de violência, gerando fama negativa.

Quando o vale-tudo entrou em ação de fato, com eventos por toda parte e com o jiu continuando a ser opressivo e predador, então a fama de bad boy igualmente explodiu. Os anos 80 e nas duas décadas seguintes essa imagem antissocial ficou tatuada. Roberto Godoi estava naquele vulcão que sacudia o mundo das lutas, e precisou de muito empenho para fazer a bandeira dos valores marciais voltar a tremular.

Quando era novato ainda, o jovem Godoi foi surpreendido ao ouvir que o mestre dele estava deixando o Brasil. Com a ida de Marcelo Behring para a Austrália, Godoi ficou naquela incerteza. Quem ficou no lugar do mestre foi um faixa-marrom chamado Waldomiro Perez. O disciplinado Godoi sentiu firmeza no substituto e seguiu os treinos na Cia Athletica, zona Sul de São Paulo.

A ascensão de Godoi foi tremenda e no início dos anos 90 já era faixa-roxa. Então, em 1992 ele ficou muito feliz ao ver um velho amigo vestindo o kimono do jiu. Era um carinha que também estava para fazer história na arte suave. Godoi era amigão de Jorge Patino, jogador de rugby e que treinava judô.

Patino e Godoi passaram a treinar juntos e a amizade ser fortaleceu sobremaneira. O faixa-roxa já era uma liderança nas aulas e, assim, a independência seria o caminho natural – em 1994 Roberto Godoi abria filial, ou seja, estava com a primeira academia, um lance em três partes – ele, Waldomiro Perez e Patino.

Os anos 90 também ferviam e já com a sigla MMA sendo conhecida. Godoi e Patino haviam se desligado da Cia Athletica e se dedicavam ao vale-tudo, onde ganharam projeção e fama. Por conta disso, em 1996 resolveram por uma sociedade e abriram a Macaco/Godoi, primeira grande marca do jiu-jítsu paulista.

Usando o vale-tudo como propaganda, a nova escola bombou imediatamente e logo foi destronando academias mais antigas e tradicionais, de São Paulo ao Rio de Janeiro. Essa parceria durou cinco anos, pois em 2001 os dois gigantes racharam. Foi um golpe duríssimo para o jiu paulista, pois a cisão mexeu com os alunos que, então, precisavam decidir para qual lado ir.

Patino abriu a Macaco Gold Team para rivalizar com a Godoi Jiu-jítsu. Começava uma nova era na arte suave em São Paulo, e uma nova e feroz rivalidade. Os dois tornaram-se inimigos e com provocações e ameaças que os levaram a confrontos reais – foram dois combates de kimono e com uma vitória para cada lado, e em 2006 eles decidiram partir para o MMA. Essa luta rolou no ginásio José Corrêa, em Barueri, com Macaco vencendo por nocaute técnico no 2º round. Mas perder só é possível para quem luta. Godoi não se abalou com isso e manteve o foco na disciplina do jiu-jítsu, e até hoje é competidor, mantendo a mesma linha de sempre – ensinando o respeito, os valores marciais e o bom código de honra das artes marciais.

Em termos de títulos, é campeão mundial sem kimono e diversas vezes campeão brasileiro e paulista, mais pódios em Mundiais e Pan-americanos que acontecem nos Estados Unidos. No entanto, mestre Godoi não vai ao pódio sozinho, já que hoje ele vê alunos avançando na arte suave e também fazendo a diferença nos tatames do mundo.

Na região, a G13 está em Itapevi com o professor Julio Larruso na avenida Giacomo Silicane, 381, Cohab D; em Jandira o dojo fica na rua Fernando Pessoa, 114, 3º andar e com o professor Tiago Okamoto; em Barueri, o professor Augusto Gobatto assume a G13 na rua São Fernando, 63, 2º andar, Jardim Julio.

Em Osasco tem o professor Julio Pinheiro representando a G13 no Km 18, avenida Comandante Sampaio, 290. Próximo ao Km 18 está o Jardim das Flores, e na avenida das Flores, 746, o professor Allyson Pinheiro, o Soneca, é o nome do jiu. Na divisa com São Paulo o professor Celso Brito responde pela academia no Parque Continental, avenida Francisco de Paula Vicente de Azevedo, 482; e na avenida Maria Campos, 660 (centro de Osasco), está o mestre Charles Duende como referência da G13 em toda região.

Mestre Godoi é faixa-preta de alta patente e logo vai atingir a meta de 100 filias pelo Brasil. Para contato com ele e saber mais da equipe G13 Brazilian Jiu-jítsu, a sede fica na avenida Nova Independência, 708, Brooklin Paulista, e o telefone é 9239-0956. (Márcio Silvio)

Mestre com os 950 alunos na graduação de faixa neste domingo.

Mestre com os 950 alunos na graduação de faixa neste domingo.

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