Judô segue dando show de planejamento olímpico

 Extra!
Janeiro 08
19:10 2016

Entre as artes marciais brasileiras, o judô é mesmo a grande vitrine. Na verdade são apenas duas modalidades no quadro do Olímpo – além do judõ tem o coreano taekwondo. Boxe inglês e luta olímpica também fazem parte, mas essas duas versões são cotadas como lutas esportivas e não como artes marciais.

Mas o judô também se destaca por ter uma estrutura olímpica de primeira linha entre todas as modalidades do País. Nenhuma outra arte marcial tem um serviço tão compacto e uniforme como o judô. E por conta disso é que a modalidade sempre se apresenta com patrocinadores fortíssimos.

Tem a Sadia como principal marca, agora entrou o Bradesco como patrocinador master, mais o recente contrato feito com a Cielo. E pensa que isso é assinatura para o Rio 16 apenas? Nada disso, pois os contratos são de cinco anos – já encaixando os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

Outras marcas de peso estão na Confederação Brasileira de Judô como Petrobras e Infraero. Mas no kimono dos atletas do Brasil a Cielo será a marca predominante.

O planejamento do judô usa o calendário olímpico. Tudo o que é feito ou fechado segue um programa que cobre uma Olimpíada e a seguinte. Nada fica para depois, para a metade do caminho, para acertar no andar da carruagem. Por fim, a linguagem da confederação é outra história, pois a unicidade do judô em todo mundo é uma lição que as demais artes marciais conhecem, mas não se preocupam em seguir.

O taekwondo está com um trabalho forte, a cada temporada vem se fortalecendo para fazer valer o lugar que tem no quadro olímpico, mas ainda não se compara com a máquina de gerenciamento visto no judô.

E as artes marciais que sonham com os Jogos Olímpicos|? O karatê está na fila de espera e também o kung fu. São modalidades tradicionalíssimas, pioneiras no sistema de combate, mas que enfrentam um dilema igualmente histórico – muita divergência rompendo-se em dezenas de federações e confederações, e isso deixa o Comitê Olímpico Brasileiro sem saber para qual karatê ou kung fu olhar.

O taekwondo tem uma entidade-mor que o representa, quanto ao judô dispensa-se comentários, mas isso ainda não é visto nas duas artes marciais que são aspirantes. No entanto, o karatê parece dar um passo mais decisivo ao encarar essas questão, já que há um movimento que procura um ponto de equilíbrio entre as várias vertentes, para que essa arte marcial ganhe corpo nacional único e com uma gestão voltada unicamente para os Jogos Olímpicos.

Quanto ao kung fu o caminho segue confuso. Por ser uma arte marial caracterizada por centenas de famílias (estilos), ao espalhar-se pelo mundo foi subdividindo-se em organizações próprias – no Brasil não foi diferente.

Assim como no karatê, o kung fu tem dezenas de federações e confederações e mostra-se bem distante de uma união olímpica. Há movimentos esportivos para isso, mas não referentes ao kung fu propriamente, e sim a uma vertente moderna dessa luta chinesa e conhecida como wushu.

Essa modalidade é um conceito à parte porque não se vincula a nenhuma das famílias tradicionais – o wushu é um sistema híbrido que mistura todo e qualquer estilo, mas com os movimntos fundamentados na ginástica artística.

Saltos acrobáticos e quase circenses fazem do wushu um espetáculo fora do comum, com os atletas em performances dadas como impossíveis, só que essa modalidade está sendo barrada justamente por bater de frente com a já consagrada ginástica artística.

Por conta disso, no panteão das modalidades marciais as cadeiras cativas devem continuar para taekwondo e judô, enquanto karatê e wushu vão correndo pelas beiradas tentando ao menos vaga para serem inclusos como modalidades extras – para demonstração apenas.

Lembrando, o taekwondo passou a ser olímpico há 16 anos, em Sydney 2000 e após ter sido apenas de apresentação em Seul 1988. Ou seja, batalhou por quase duas décadas até ser aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional. E o judô olímpico foi batizado em Tóquio 1964. Teve um começo tímido, mas aos poucos foi se profissionalizando até chegar ao ponto de excelência de agora. Em termos de conquistas, a história do pódio do judô marca 1972 com o japonês naturalizado Chiaki Ishii, bronze em Munique, categoria dos meio-pesados.

Mas o judô brasileiro ficou por mais de uma década sem medalhas, voltando ao pódio em Los Angeles 1984 e com três medalhas para quebrar o longo jejum: prata com o meio-pesado Douglas Vieira, e bronze com Walter Carmona e Luís Onmura. E o primeiro ouro brasileiro foi em Seul 1988 com o também meio-pesado Aurélio Miguel. De 1972 até os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, o judô verde e amarelo conta 19 medalhas sendo 3 de ouro, 3 de prata e 13 de bronze. (Márcio Silvio)

 

OS PÓDIOS DO JUDÔ

1972 Munique
Chiaki Ishii (-93kg, bronze)

1984 Los Angeles
Douglas Vieira (-95kg, prata)
Walter Carmona (-86kg, bronze)
Luís Onmura (-71kg, bronze)

1988 Seul
Aurélio Miguel (-95kg, ouro)

1992 Barcelona
Rogério Sampaio (-65kg, ouro)

1996 Atlanta
Aurélio Miguel (-95kg, bronze)
Henrique Guimarães (-65kg, bronze)

2000 Sydney
Tiago Camilo (-73kg, prata)
Carlos Honorato (-90kg, prata)

2004 Atenas
Leandro Guilheiro (-73kg, bronze)
Flávio Canto (-81kg, bronze)

2008 Pequim
Ketleyn Quadros (-57kg, bronze)
Leandro Guilheiro (-73kg, bronze)
Tiago Camilo (-81kg, bronze)

2012 Londres
Sarah Menezes(-48kg, ouro),
Mayra Aguiar(-78kg, bronze)
Felipe Kitadai(-60kg, bronze)
Rafael Silva(+100kg, bronze)

 

Meio-pesado Aurélio Miguel, primeira medalha de ouro do judô brasileiro, em Seul 1988.

Meio-pesado Aurélio Miguel, primeira medalha de ouro do judô brasileiro, em Seul 1988.

A peso-ligeiro Sarah Menezes, última douradinha nos Jogos de Pequim 2012.

A peso-ligeiro Sarah Menezes, última douradinha, Jogos de Pequim 2012.

Chiaki Ishii, naturalizado brasileiro e primeiro medalhista olímpico, 1972.

Chiaki Ishii, naturalizado brasileiro e primeiro medalhista olímpico, Munique 1972.

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