Campeão Miguel de Oliveira lembrando o título: Osasco parou

 Extra!
novembro 03
18:41 2015

Quando ele desembarcou em Congonhas com o cinturão mundial dos médios-ligeiros, encontrou uma multidão de osasquenses à espera. Era maio de 1975 e uma viatura do Corpo de Bombeiros foi a limosine da vez levando o novo campeão do mundo após Eder Jofre. Era Miguel de Oliveira.

Ele morava em Osasco desde 1960 e, portanto, já era mesmo prata da casa. Início de carreira até os títulos nacionais, e também chegar ao primeiro lugar do ranking para ter direito à disputa do mundial, toda esse trabalho foi com base em Osasco. Portanto, a cidade tinha tudo a ver com aquele momento, assim como Miguel de Oliveira só queria saber de festejar o cinturão em casa.

E foi assim mesmo. De Congonhas para a Osasco foi aquela comemoração com o campeão do mundo aplaudido e festejado por todo percurso até a entrada da cidade. “Nós fomos pela avenida dos Autonomistas, descemos a rua Primitiva Vianco e subimos a Antônio Agu. Era uma multidão a perder-se de vista”, lembra.

Ele diz que a cidade parou para recebê-lo. No largo de Osasco a concentração foi ainda mais tensa, com foguetório, autoridades de toda ordem e com o povão na maior felicidade. “As lojas desceram as portas até a metade e colocaram cartazes meus. Até hoje quando falo disso me arrepio”, completou o campeão, que com 68 anos segue ativo no boxe, dando aulas diárias na Cia Athletica.

Na épóca, o prefeito era Francisco Rossi, e Miguel de Oliveira disse que fez questão de ir direto à casa do prefeito. “O Rossi me ajudou muito e não tirou nenhum proveito político”, garantiu. Toda aquela carreata do boxe foi até a casa de Francisco Rossi, pois o campeão queria agradecer-lhe. “O prefeito estava um pouco doente e por isso não foi ao aeroporto. Mas eu precisava ir falar com ele e agradecê-lo pelo apoio.”

Mas se essa comemoração osasquense era inédita por conta do título mundial, não foi a primeira manifestação da cidade a Miguel de Oliveira. Anos antes e quando sagrou-se campeão brasileiro, Miguel de Oliveira também foi muito festejado na cidade e o prefeito era José Liberatti.

Osasco sediava os Jogos Abertos do Interior, e Miguel de Oliveira era a grande atração e também parando a cidade. Depois que ele voltou das duas decisões que fez no Japão, igualmente foi recebido de forma calorosa pelo osasquense, que acompanhou luta a luta a caminhada do herói do boxe brasileiro até a conquista do título mundial em maio de 1975, em Mônaco. Ele desembarcou em Congonhas por volta das 8h pela Varig, e cerca de 10 mil pessoas participaram da recepção ao novo campeão mundial, do aerporto até Osasco. (Márcio Silvio)

NOTINHAS
– Miguel de Oliveira encerrou a carreira com 50 vitórias (25 nocautes), 1 empate e 5 derrotas, num total de 56 lutas.
– naquele duro período dos anos 70 para um atleta, ele insistiu nos estudos e formou-se em educação física.
– aos 68 anos tem uma vida intensa, sendo que há 30 anos trabalha na Cia Athletica como professor de boxe.
– mas ele também chegou a ser treinador de feras como Maguila e Francisco Thomas da Cruz – outro de Osasco que disputou o título mundial dos leves. “Ele pegou uma lenda do boxe. Thomas da Cruz era o número 1 e teve pela frente Julio Cesar Chavez e que estava no auge”, lembra Miguel.
– em janeiro de 1973 ele disputou o título mundial pela primeira vez e no Japão, quando empatou com Kichi Wajima; retornou em fevereiro do ano seguinte e novamente em Tóquio: vitória de Wajima. “Os árbitros eram japoneses e o juiz também”, reclama Miguel de Oliveira.
– a terceira disputa do título foi contra o espanhol Jose Duran, no Principado de Mônaco – vitória por pontos. Miguel de Oliveira se aposentou do boxe em 1980.

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Campeão falou da chegada à cidade durante programa na TV Osasco.

Campeão falou da chegada à cidade durante programa na TV Osasco.

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