Almoçava no carro para treinar, conta osasquense prata no Pan

julho 30
16:19 2015

Agora ele vive um momento de glória esportiva. Afinal, é medalha de prata no badminton dos Jogos Pan-americanos de Toronto. Osasco tem as estrelas medalhas de prata do vôlei feminino, mais a atacante Cristiane, medalha de ouro com a seleção brasileira no futebol feminino; e Hugo Lemos Arthuso completa esse pódio osasquense e com mais prata.

Enquanto o momento é de escalada, o foco é chegar ao objetivo. Nada de olhar para trás. No entanto, agora Hugo Lemos está no topo do badminton nacional e comemora essa conquista, podendo então olhar para trás e falar do início de tudo. Nesta manhã ele esteve no gabinete do prefeito Jorge Lapas. Olhar com brilho valendo ouro, conversa mais que positiva, mas lembrando da estrada até o pódio. O prefeito Lapas parabenizou o atleta, disse que Osasco está orgulhosa e que há um grande projeto esportivo em andamento para fortalecer ainda mais o nível competitivo da cidade. Mas quem é esse medalhinha do Pan?

Ele mora em Osasco e conheceu o badminton no início dos anos 2000. É jogador do Club Athetico Paulistano, mas não chegou lá do nada. Hugo Lemos conta que ganhou a primeira raquete de alumínio de Ioshitaka Inoue. “Ele me levava para torneios em Campinas sem mesmo eu ter participado da competição”, lembra o osasquense. “Apenas para que eu pudesse competir, para que eu pudesse crescer no badminton.”

A partir de 2003 a vida dele começaria a mudar na modalidade. Conheceu o técnico Cassio Toledo, a quem chama de segundo pai. E foi pelas mãos desse treinador que Hugo Lemos chegou ao Club Athetico Paulistano. “Muito sacrifício e dedicação, estudando em Osasco no colegial, saindo correndo, almoçando no carro e pegando trem para treinar. Em outubro completo doze anos de casa”, completou o pratinha.

Mas ele não tinha condições de se manter competitivo. O badminton é um esporte de pouca divulgação e, naturalmente, sem investimento algum. Assim, os atletas contam com patrocinadores pessoais e, no caso de Hugo Lemos, ele faz questão de citar Roberto Ganme e Messias Carvalho, homens que são o caixa-forte dele. Atualmente ele é treinado por Marco Vasconcelos, e na equipe tem o preparador físico Diego Ide, o fisioterapeuta Rodolfo Amoroso e o médico André Andrade.

Em 2008 ele foi bronze em dupla mista no Pan-americano da modalidade, e em 2010 foi prata na simples dos Jogos Sul-americano, e nas duplas masculinas. No Pan de Guadalajara ele chegou perto do pódio com a seleção brasileira, e antes de ir para Toronto fez dupla com Daniel Paiola e conquistou medalha de prata no Peru International Series. Ainda nesse torneio, foi bronze em dupla mista com Fabiana Silva.

Já em Toronto e em busca do ouro, o osasquense Hugo Arthuso seguia com Daniel Paiola. A dupla encarou os americanos Phillip Chew e Sattawat Pongnairate que venceram por 2 a 0, com 21 a 18 e 21 a 16. Derrota no placar, mas conquista de ouro para a dupla nacional.

O osasquense tem 28 anos é um dos atletas do COB que prestaram curso militar. Ele é sargento da aeronáutica e ganha soldo das Forças Armadas que o ajudam na vida esportiva. No pódio de prata, Hugo Lemos também bateu continência ao ouvir o Hino Nacional. (Márcio Silvio)

NOTINHAS
– essa modalidade é parente do vôlei de praia e do tênis. Como ferramenta tem a raquete, e no lugar da bolinha que voa é a peteca – ou volante. Trata-se de um jogo bem antigo e com berço na pré-história do esporte. Há tribos indígenas no Brasil, por exemplo, que praticam um esporte bem parecido com o badminton.

– no século 19 a modalidade ganhou forma pelo britânicos, mas ainda seguem discussões sobre a origem do nome. Quanto a peteca, são com penas (de preferência de ganso) e o objetivo do jogo é óbvio – peteca caindo na quadra é ponto.

– no Brasil ainda não chama atenção, mas é muito popular na Ásia, Europa e Estados Unidos. O jogo pode ser disputado individualmente e também em duplas – bem ao estilo do tênis. No entanto, a quadra do badminton, necessariamente é diferenciada.

– em Toronto, além da dupla masculina o Brasil também foi prata com as irmãs Luana e Lohaynny, que fizeram a final contra as americanas Eva Lee e Paula Lynn, vitória por 2 a 0 com 21 a 14 e 21 a 16.

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