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Vizinhos do Brasil aproximam-se da Rússia para avanço militar

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Vizinhos do Brasil aproximam-se da Rússia para avanço militar
outubro 13
02:13 2017

O que há de comum no fortalecimento militar de Argentina e Peru? Enquanto o maior país da América do Sul alinha-se fundamentalmente com os Estados Unidos, os vizinhos do Brasil contam com apoio de um rival direto dos EUA, a Rússia.

Há dois anos a Argentina assinou o Plano de Consultas Políticas com o governo russo, protocolo que finda no início do próximo ano. Diante disso, o vice-ministro de Relações Exteriores da Argentina declarou que o país quer renovar o acordo.

Daniel Raimondi conversou ontem com Sergei Ryabkov e disse que o diplomata russo comunga das mesmas intenções. Sem dar detalhes desse protocolo, o vice-ministro resumiu que o objetivo da Argentina é que a Federação Russa entre com forte financiamento para diversos setores.

Esse encontro entre os diplomatas reforça o programa de cooperação militar anunciado ano passado por Julio Martínez, ministro da Defesa, para manobras conjuntas com a Rússia.

A aproximação entre os países tem, inclusive, aprovação do Parlamento que em maio último aprovou batizar uma área nobre de Buenos Aires como Praça Federação da Rússia – entre as ruas La Pampa, Castañeda, Valentín Alsina e Dragones.

No país, o Conselho dos Compatriotas da Rússia estima que ali vivem aproximadamente 300 mil imigrantes russos e da extinta União Soviética. Esses números fazem da Argentina o país com a maior comunidade não apenas na América do Sul mas em todo continente.

Argentina à parte, a Rússia também reforça a política com o Peru, que está negociando caças de último tipo e alega, para isso, que com os russos não há nenhum risco. E por que não com os Estados Unidos? A política dos EUA é severa por vincular o mercado às questões gerais da América do Sul. Caso haja qualquer tipo de desentendimento diplomático a indústria americana corta fornecimento de munições e peças, deixando as naves em terra por falta de manutenção. Esse é o principal motivo que faz o governo peruano apertar as mãos dos russos.

Além da força aérea o Peru também importará tecnologia naval, adaptando os navios com os sistemas operacionais russos e fazendo o país crescer no setor para emparelhar-se como força respeitável entre os países vizinhos que estão em vantagem nessa corrida armamentista.

A defesa aérea já conta com MiGs avançados e as naves mais antigas passaram por atualizações. Um MiG de ponta chega a 2.100km/h e transporta mais de 4 toneladas de carga, mais um canhão 30mm e com sistema de mísseis. Com um radar poderosíssimo e que enquadra até dez alvos simultâneos, o piloto tem capacidade de atacar quatro alvos numa única investida.

E a Venezuela? Parceira de carteriinha dos russos, no início do mês anunciou laços com a Turquia. Essa aproximação é para investimentos na área do turismo e da agricultura, basicamente, mas o objetivo de fundo do presidente Nicolás Maduro é também reforçar o caixa para investir ainda mais na força militar.

O ponto em comum entre as partes é o antagonismo com os Estados Unidos. Essa união, portanto, é para fortalecer os países contra os cortes que partem dos EUA. E a partir da Venezuela o governo turco já tem agenda para estender a mesma diplomacia com Cuba.

De volta ao Peru, no final do ano passado o governo fechou acordo para construção do Centro de Operações de Emergência Regionais financiada pelo Comando do Sul, dos Estados Unidos, obra estimada em US$13 milhões. Políticos contra esse acordo denunciavam que por trás da divulgada cooperação de logística, comunicações etc, o real propósito seria militar.

Dados do governo peruano apontam que em 2015 os Estados Unidos já contavam com mais de 3 mil soldados no país. Os EUA têm um leque de bases nos principais pontos da América do Sul e, agora, há o movimento russo também querendo fazer parte desse filão.

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Marcio Silvio

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