Veteranos que combateram Guevara se opõem às homenagens do governo boliviano ao guerrilheiro

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Veteranos que combateram Guevara se opõem às homenagens do governo boliviano ao guerrilheiro
outubro 07
09:59 2017

Desde quinta-feira o governo da Bolívia envolve-se no cinquentenário da morte do guerrilheiro Che Guevara e as comemorações vão até o dia 9. Nascido na Argentina em 1928, o médico liderou guerrilha sob a bandeira de Fidel Castro a partir de ações na Bolívia. Foi capturado em 8 de outubro de 1967 e executado à 13h10 do dia 9.

Considerado herói e mártir, Che Guevara tem lugar no panteão coletivo como símbolo revolucionário, mas o fato é que o culto ao ego do argentino é mais pela pessoa e figura do guerrilheiro alado e não leva em conta o pano de fundo histórico.

Na Bolívia, palco dos últimos tiros dele quando comandava um grupo de 47 homens em nome da revolução na América Latina, foi combatido pelo Exército de La Paz e, claro, com reforço de forças especiais dos Estados Unidos e da CIA.

Agora chega o cinquentenário daquela operação que resultou no fuzilamento do revolucionário, o governo boliviano está nessa pompa de homenagens mas os veteranos daquele combate contra a milícia se opõem a tudo isso. “Nós temos os nossos próprios atos”, comentou Mário Moreira, da Confederação Nacional dos Confederados da Campanha contra a Guerrilha Ñancahuazú.

Por próprio atos, entenda-se comemorações que vão na contramão das do governo. Se no país o guerrilheiro é louvado em homenagens pelo cinquentenário da morte dada como heroica, veteranos como Mário Moreira rejeitam esse rótulo e lembram a data a partir da história deles, dos verdadeiros heróis da pátria boliviana e que lutaram bravamente contra invasores.

Daquele grupamento contra Guevara, são 350 homens que terão cerimônia à parte. Os veteranos do exército de La Paz estarão honrando a memória dos 59 camaradas que tombaram na batalha entre 6 a 10 de outubro de 67. O governo chegou a anunciar reconciliação entre eles e ex-guerrilheiros, só que a confederação dos ex-militares não confirma nada e antecipou que é contra reconciliação. Por fim, esses veteranos seguem sustentando aquela mesma postura nacionalista e são contra a ideia heroica de Che Guevara na Bolívia.

“Ninguém tem o direito de vir para cá matar sob pretextos idealistas”, continuou Moreira. “Eles, na realidade, invadiram e nem sequer fizeram qualquer proposta. Vieram diretamente para causar luto e dor.”

Nesses dias de celebração do governo Evo Morales, participam dos atos em memória de Guevara os ex-guerrilheiros cubanos Harry Viullegas, o Pombo, e Leonardo Tamayo, o Urbano; Miguel Mario Díaz-Canel, vice-presidente de Cuba, também faz parte do cerimonial, assim como Tareck El Aissami, vice-chefe de Estado da Venezuela.

O pico das homenagens dão-se em Vallegrande onde o corpo de Guevara jazia numa vala comum. Após exumação, fora trasladado para Cuba.

Após tentar a revolução no continente africano com base no Congo, envolvendo-se em guerrilhas em Guiné Bissau, Angola e Moçambique contra a colonização portuguesa, Che Guevara retorna fracassado para Cuba. Isso foi em 1965 e quando ele abre mão de todos os cargos políticos dados por Fidel Castro no governo cubano. No ano seguinte começa a preparar a revolução na América Latina e começa a cuidar das operações de invasão a partir da Bolívia. Essa é a história.

 

 

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Marcio Silvio

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