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Umbigada? Confira essa dança exótica em Barueri

 Extra!
maio 14
19:23 2015

Batuque de umbigada é considerada uma arte genuinamente paulista e com origem que se perde no período colonial. Naturalmente que tem fortíssimos laços com os sons da África, mas essa dança tem tradição em Barueri, onde os batuqueiros promovem uma umbigada geral sábado que vem, a partir das 19h no Centro Cultural. É a terceira edição do Batuque de Umbigada que a Secretaria de Cultura e Turismo realiza.

A história antiga de Barueri registra o umbigueiro Aggêo Pires como patrono. Natural de Laranjal Paulista, ele levou a tradição quando mudou-se a nova cidade. E a Secretaria de Cultura dá um destaque a mais sobre a umbigada: que a dança é a matriz de todas as outras, e que a palavra samba, por sinal, vem de um dialeto afro que significa umbigo. Assim, quem cai no samba está na umbigada, seja qual for a dança.

A dança que hoje é uma expressão universal da arte, em tempos bem lá atrás era peça de rituais religiosos. Somente de umbigada o Brasil conta mais de 400 anos – em São Paulo. Outras tradições nacionais como congada, folia de reis, catira, samba, frevo e maracatu são vertentes dessa cultura africana. E como todas essas representações, o batuque de umbigada tem um conteúdo seríssimo.

Nessa dança que floresceu entre Angola e Congo, o negro no Brasil identificava-se como pessoa e com uma identidade riquísssima. Tal qual a capoeira, o batuque da umbigada tinha mensagem de força comunitária durante o período sanguinário da escravidão.

Aliás, tem muito capoeirista muito bom de roda e que não conhece a mãe dessa ginga – o batuque de umbigada. E como toda dança de contato corporal, naturalmente que a umbigada tem aquele tchan porque os casais vão no ritmo e naquele encontrão, dando ao batuque um sensual.

Os casais se perfilam ao som de tambores, matracas e chocalhos, as cantorias são antigas, algumas vão no improviso, e o clima esquenta. Mas atenção para não perder o foco da umbigada. É muito bom o arrocho, mas o encontro de umbigos (homem e mulher) é uma figura africana que fala de coisas grandiosas como o universo. Sim, o casal é visto como base da organização da vida, além de o umbigo ser nosso primeiro canal de alimentação. Outras civilizações bem antigas fazem a mesma relação.

Houve um período em que a igreja Católica satanizou a umbigada, e por conta disso a dança caiu na malha da censura. Para não perder de vez a tradição foram criadas versões menos ‘pecadoras’ da umbigada como o tambor da crioula, desenvolvida no Maranhão, que é só para mulheres.

No Rio de Janeiro e em São Paulo cresceu o jongo, uma umbigada de mentirinha, pois não havia o contato real – ficava apenas na intenção. E como o povo africano não vê a sensualidade como pecado, o contato dessa cultura no mundo todo sempre foi banhado em conflitos.

Mas hoje está tudo liberado, há danças modernas que são praticamente sexo explícito e isso faz da umbigada uma quase infantil. E quem pensa que essa coisa de repressão está apenas nos livros antigos, vale destacar que em Rio Claro a pressão foi terrível até o final do século XX.

Em 1950, por exemplo, a umbigada foi praticamente varrida daquela cidade, sob acusação de conotação sexual. A polícia fechou o cerco e os batuqueiros amargaram longo período de perseguição até o ano 2000, quando a censura caiu de vez. (Márcio Silvio)14. Umbigada 2

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