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Osasco no centenário do Genocídio Armênio

 Extra!
abril 24
15:26 2015

A Segunda Guerra Mundial barbarizou a humanidade, escancarando a face mortal do nazismo com as atrocidades do holocausto. E foi naquele período, em 1944, que o judeu polonês Raphael Lemkin lançou o termo genocídio.

Mas a intenção dele não foi específica para a tragédia judaica. Na Primeira Guerra Mundial um povo fora brutalmente martirizado no Império Otomano, e Lemkin coloca os armênios também como vítimas de genocídio em 1915, assim como os judeus décadas à frente.

Conhecido como Genocídio Armênio, aquelas atrocidades da I Guerra deram-se por várias regiões otomanas, na época dominada pelo Governo Jovens Turcos.

França, Rússia e Grã-Bretanha, de imediato, denunciaram e reagiram numa declaração conjunta em maio de 1915, denunciando o governo turco com a seguinte definição: novo crime contra a humanidade e a civilização.

O motivo dessa barbárie turca tem a base nacionalista que motivaria o nazismo. A política do governo era de turquinização para revigorar o Império Otomano, cobrindo todas minorias étnicas do Cáucaso, Ásica Central e beirando o território chinês. E nesse programa de purificação nacional, os armênios pagaram alto preço.

O drama começou em 1911 quando foi decretada a deportação dos cidadãos da Armênia Ocidental. Cerca de 2 milhões de armênios viviam no império à época, sendo que de 1915 a 1923 morreram cerca de 1,5 milhão.

O objetivo otomano era mesmo único: assassinar o povo armênio. O sistema de aniquilação começaria em 1915 em Constantinopla, atual Istambul. Era 24 de abril quando centenas de intelectuais foram presos e assissanos pelo governo. Esse dia, portanto, entrou na história em memória de todas as vítimas do Genocídio Armênio.

Dando sequência ao projeto de extirpar a raça, o governo turco recrutou os armênios para o exército. Foi uma solução tranquila, já que com todo aquele contingente à disposição, os soldados do império simplesmente desarmaram os convocados e os executaram.

Enquanto isso, mulheres e crianças eram deportadas para os desertos da Siria, onde eram barbarizadas pelo exército, que contava com a parceria assassina de gendarmes e curdos.

Quem não morreu imediatamente, sofreu todo tipo de abusos – mulheres e crianças. Por fim, o governo pesaria de vez o braço de ferro sobre os armênios, política de extinção em massa que a história viveria três décadas depois e em dose ainda mais brutal, na Alemanha.

Hoje, portanto, o mundo todo é solidário e relembra aquele 24 de abril de 1915, data estopim desse capítulo negro da humanidade. No entanto, apesar de toda movimentação internacional, o governo turco segue negando o genocídio.

Nas homenagens desta sexta-feira em Yerevan, o presidente François Hollande reafirmou que a França está na luta contra o que chamou de negacionismo do genocídio. “Desejo que a fronteira entre Turquia e Armênia possa ser aberta em breve, para que esses dois povos tão próximos não sigam sendo vizinhos distantes”, sentenciou o presidente francês. Vladimir Putin participou da cerimônia em Tsitsernakaberd. O presidente da Rússia.

O Genocídio Armênio foi o primeiro holocausto do século XX, planejado com execução em massa, expatriações, confiscação de bens, armênios crucificados à beira de estradas e numa fila mórbida de quilômetros de extensão, estupros… Os fatos são esses, mas esses 100 anos ainda não contam com a unanimidade internacional – apenas 20 países reconhecem o Genocídio Armênio, e o Brasil não faz parte dessa minoria.

Na América do Sul, apenas Argentina, Uruguai e Bolívia se manifestam. Naturalmente que a Turquia nega, mas um país bem familiarizado com essa tragédia, Israel, politicamente não aceita o termo genocídio, assim como os Estados Unidos. O papa Francisco confirma o genocídio, assim como o antecessor João Paulo II. A diferença é que pela primeira vez o mandatário da Igreja Católica usa o termo Genocídio Armênio pública e oficialmente.

EM OSASCO
As homenagens ao povo armênio também tem lugar em Osasco, cidade que tem o desenvolvimento fincado na comunidade que se estabeleceu em Presidente Altino.

A solenidade será amanhã no estádio Elzo Piteri, na Vila Yolanda, a partir das 10h30. O prefeito Jorge Lapas estará com Paulo Moisés Alti barmakian, presidente da Comunidade Armênia de Osasco; com Ashot Galoyan, embaixador da República Armênia no Brasil; e com Arcipreste Boghod Baronian, pároco da Igreja Apostólica Armênia São João Batista de Osasco.

No estádio, cem árvores serão plantadas, cada árvore por um ano do centenário, e 1.500 balões cobrirão o céu de Osasco em homenagem aos 1,5 milhão mártires.

A comunidade armênia estabeleceu-se em Osasco nos anos 20, e cuidaram e formar a União Salmo Tzor de Presidente Altino, com Keghan Karaghanian eleito presidente.

Mas essa sociedade era aberta e não exclusiva aos descendentes. Todo morador de Presidente Altino, sendo maior de 18 aos, podia ser membro. Mais tarde, a União Salmo teve o nome mudado para Sociedade Armênia de Presidente Altino – já com sede própria. Em maio de 1930 estava sendo lançada a pedra fundamental da Igreja Apostólica Armênia São João Batista. (Márcio Silvio)

Solenidades de hoje: apenas 20 países reconhecem o Genocídio Armênio - na América do Sul apenas Uruguai, Argentina e Bolívia.

Solenidades de hoje: apenas 20 países reconhecem o Genocídio Armênio – na América do Sul somente Uruguai, Argentina e Bolívia.

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