O que é comemorado hoje?

julho 09
14:14 2015

É assunto para museu? Pode ser que sim. No entanto, parece justo relembrar um pouco da história que dá razão a este 9 de julho, sob o risco de esse feriado cair naquele pacotão de puro lazer e diversão, passando literalmente batido do sentimento histórico.

Houve uma época em que os estados de São Paulo e Minas Gerais eram os mais ricos do País. Por conta disso, as grandes decisões políticas partiam desse eixo. Era uma aliança antiga, mas que seria rompida em 1930 pelo presidente Washington Luís, representante da força paulista.

Foi uma ação política para lançar Júlio Prestes, então governador de São Paulo, a sucessor. E deu certo, pois nas eleições seguintes deu Prestes presidente. Diante disso, os mineiros se irritaram e procuraram ajuda dos gaúchos. Nesse ínterim, o governo da Paraíba também engrossou a bronca mineira. Assim, já eram três estados contra São Paulo.

A pressão foi monstruosa e a nova aliança mineira conseguiu articular o golpe que levou Getúlio Vargas ao poder. Foi um poder avassalador e sem pedir licença. O Congresso Nacional foi fechado, a Constituição de 1891 foi anulada e muitos governadores foram depostos, com interventores assumindo os postos.

Naturalmente que os paulistas se indignaram, e desse burburinho surgiram os tenentistas, movimento com base militar mas que também contava com grande presença civil. No famoso Largo São Francisco, as discussões entre estudantes geravam confrontos de militantes getulistas e tenentistas. E foi numa dessas brigas (com ação policial) que morreram os quatro estudantes cujas iniciais formariam a sigla MMDC (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo).

A Revolução de 32 começaria aí. A morte dos estudantes ocorreu em 23 de maio, e desde então o levante paulista pegou fogo. O governo Vargas mandou 100 mil soldados para conter o ímpeto, enquanto São Paulo mobilizava 35 mil revoltados. A supremacia federal era tremenda, mas os paulistas esperavam que outros estados somassem contra – seria uma verdadeira guerra civil.

Acontece que São Paulo ficou só. Lutou isolado, fez o que pôde em quase três meses de sangue jorrando, guerrilha que terminaria em 2 de outubro de 32 – militares e constitucionalistas foram derrotados implacavelmente. No entanto, as mortes não foram em vão porque o governo realizaria eleições para Assembleia Constituinte logo em seguida, quando foi promulgada a Constituição de 1934 – e as mulheres tiveram participação eleitoral pela primeira vez.

Os historiadores concordam que os paulistas não estavam atrás de uma revolução propriamente, que aquilo tudo foi um movimento constitucionalista para reforma política apenas. Outra questão por trás do movimento, é que até o golpe que colocou Getúlio Vargas no poder, quem deitava e rolava nas decisões políticas eram os fazendeiros paulistas.

Dispostos a retomarem o poder, foram os principais fomentadores do movimento e do levante tenentista. E quando os protestos ganharam a massa universitária e intelectual do estado, a situação ganhou dimensões de guerrilha, principalmente após aquele 23 de maio quando morreram os quatro estudantes. Em termos de reivindicação, São Paulo queria nova Constituição, eleições para presidente e a saída do interventor, o pernambucano João Alberto, e que fosse nomeado um interventor do estado. (Márcio Silvio)

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