Janaína Paschoal, a advogada do impeachment ironiza reprovação na USP: ganhei em último lugar

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Janaína Paschoal, a advogada do impeachment ironiza reprovação na USP: ganhei em último lugar
setembro 19
11:24 2017

Ela derrubou um governo. Janaína Paschoal é um nome que se eternizada na história do Brasil como a advogada do impeachment. Na semana passada ela defendeu tese para professor titular na Universidade de São Paulo e foi reprovada. Eram cinco candidatos e a advogada ficou com a nota mais baixa. Diante da reprovação, logo ela ironizou: “Acabo de ganhar em último lugar para titularidade na Faculdade de Direito.”

A decisão da banca foi divulgada sexta-feira passada e o nome de Janaína Paschoal ganhou as redes sociais em tons hilários. Isso à parte, a advogada disse que não irá recorrer da decisão porque reconhece os critérios e a soberania da banca.

Usando uma toga que parece resgatar signos medievais, ela defendeu a tese ‘Religião e Direito Penal’, mas disse que sabia que não seria aprovada. “É muito bom poder expor as próprias ideias, com independência, sem medo”, comentou Janaína, referindo-se à tese como uma manifestação humanitária e não técnica.

E por que ela decidiu disputar o concurso sabendo que não seria aprovada? A advogada diz que fez isso para dar exemplo. “Por isso digo que foi uma vitória. Sobreviver e insistir em participar… E desejei mostrar aos meus alunos, na prática (não só em teoria), que o importante é participar.”

Alguém que é aprovado num exame como esse tem acesso a um nível acadêmico ímpar porque entra para um grupo seletíssimo. Mais que seleto, trata-se de um grupo muito resumido. Assim, toda tese passa por um crivo extraordinário e é esquadrinhada linha a linha.

A defendida pela advogada do impeachment fugiu dos parâmetros da banca. Janaína apresentou um texto quase que político, e a ligação filosófica e cristã levava a tese para um terreno pessoal. “Eu disse à banca e repito publicamente: minha tese é importante para a humanidade. Estou mostrando o que é tolerância aos intolerantes”, rebateu ela, completando num tom mais rebelde: “Eu ousei discutir religião na Universidade de São Paulo. Heresia!”

E segue ela ironizando a visão lógica da banca da USP: “Cometi muitas outras heresias e quase apostasias durante a defesa da tese: questionei a autoridade da banca para definir o que era Ciência. Critiquei as pobres discussões que retiram do Direito Penal a Filosofia. A imbecilidade que é um Direito Penal divorciado da Criminologia.”

E mais: “Ousei ligar o Abolicionismo Penal ao marxismo. E quando os examinadores diziam que eu estava errada, eu mostrava que estava certa. Um examinador disse que liberdade religiosa não tem nada a ver com Direito Penal e me condenou por não seguir a linha da Capes (Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).”

Por defender uma tese com base religiosa, a advogada do impeachment retruca que bradou na defesa que os religiosos sempre foram perseguidos pelo Direito Penal. Nessa pegada, Janaína Paschoal vociferou sobre a linha do Capes, declarando-a como irreligião.

A advogada disse que todas cinco horas de exame estão anotadas e que logo serão transformadas em livro. E assumindo aquele tom bem Janaína que a marcou durante o impeachment de Dilma Roussef, ela fecha: “Vocês acham que uma tese dessas teria alguma chance na USP?”

“Insisti em defender por acreditar verdadeiramente nela. Eu não estou triste com a banca. A banca foi fiel aos seus critérios e eu fui fiel às minhas próprias convicções”, completou. No entanto, eis momento light de Janaína, quando ela brinca com tudo isso.

“Quando falei que eu ganhei em último, eu utilizei um eufemismo. Eufemismo é uma figura de linguagem”. E finalizou: “Para aqueles que preferem um exemplo mais palpável, fosse a banca o corpo de jurados do show de calouros, eu teria tomado uma buzinada.”

 

📸 Marcelo Monteiro

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Marcio Silvio

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