Cantareira sofre a falta d’água por ineficiência de má gestão de governo tucano

setembro 22
11:34 2015

São Paulo – O mau gerenciamento levou o sistema Cantareira a uma “transição catastrófica”, fazendo com o que o reservatório passasse rapidamente de condições normais para um “estado de ineficiência”. Esta é a constatação de um artigo escrito por um trio de pesquisadores brasileiros — Paulo Inácio Prado, da USP, Renato Mendes Coutinho e Roberto Kraenkel, da Unesp — e publicado recentemente no site científico PLoS ONE.

Na pesquisa, os cientistas atribuem a escassez hídrica em São Paulo à demora dos gestores públicos em agir para evitar a queda abrupta de águas nos reservatórios do Cantareira, o que acabou abalando a própria capacidade de recuperação do sistema. Segundo eles, as ações que poderiam ter impedido o agravamento da crise deveriam ter sido tomadas antes de janeiro de 2014 (quando a crise foi anunciada), a fim de evitar o chamado “efeito esponja”, que caracteriza o atual estado dos reservatórios.

O volume do sistema é tão baixo que o solo ressequido absorve mais da água que iria para o reservatório, o que faz o seu nível baixar ainda mais. Para se ter uma ideia, setembro é o primeiro mês desde março que o Cantareira supera a previsão de chuvas, mas o manancial ainda opera no volume morto. Usando métodos estatísticos e modelagem matemática, os pesquisadores demonstraram que essa transição para a ” ineficiência” começou bem antes da crise ganhar notoriedade publica.

À luz dessa nova pesquisa, o poder público negligenciou conceitos básicos de gestão ambiental, como a  “resiliência”, que é a capacidade de um sistema se recuperar após uma pertubação, como ocorreu com o Cantareira. Conforme o estudo, a média de entradas e saídas de água no reservatório (observadas em períodos de 30 dias) apresentou déficits contínuos desde maio de 2013 até fevereiro de 2015, ao contrário do padrão recorrente do período de dezembro a maio, que sempre teve maiores influxos do que saídas.

Como consequência, a perda do estado normal de operações levou a um regime de ineficiência, que dificulta o retorno à normalidade

Os resultados obtidos pelo estudo advertem que o gerenciamento do reservatório deve levar em conta a possibilidade de transições catastróficas, sendo necessário definir novos parâmetros de operação a partir de conhecimentos científicos atuais. Ao ignorar isso, os gestores públicos agiram como “uma força externa que empurrou o reservatório para uma mudança catastrófica”, concluiu o artigo.   (Exame)

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