Cantareira sai do volume morto e volta aos níveis de maio de 2014

dezembro 30
14:17 2015

Depois de 19 meses, o Cantareira atingiu nesta quarta-feira (30) o seu volume útil, tendo recuperado o volume morto, água que fica abaixo do nível de captação das comportas. O nível subiu hoje de 22,4% para 22,6%, percentual que corresponde à quantidade de água que existe no sistema em relação à capacidade total de armazenamento, incluindo as duas cotas do volume morto.

O sistema conseguiu deixar o volume morto depois que seu nível teve altas seguidas durante quase um mês por causa das recentes chuvas na região. O índice do sistema aumentou 7,5 pontos percentuais desde o começo de dezembro. Os dados são disponibilizados na internet pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

Entre ontem e hoje, o Cantareira recebeu 5,4 milímetros de chuva. A quantidade acumulada ao longo do mês foi de 258,2 milímetros, superior à média histórica para dezembro, que é de 219,4 milímetros.

Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado, Benedito Braga, declarou que a saída do Cantareira do volume morto indica que a “situação climática nos meses de outubro, novembro e dezembro voltaram à normalidade”.

O volume morto começou a ser usado em maio de 2014. À época, diante da falta de chuva e da queda acelerada do índice do Cantareira, o governo de São Paulo começou a captar água dessa reserva que nunca tinha sido usada antes. A decisão gerou críticas de especialistas, que questionaram a qualidade dessa água e alertaram para os danos que essa medida poderia causar ao meio ambiente. Com o agravamento da crise, uma segunda cota do volume morto passou a ser usada em outubro do mesmo ano. O Cantareira é responsável atualmente pelo abastecimento de 5,2 milhões de moradores da Grande São Paulo. Antes da crise, o sistema fornecia água para 8,8 milhões de pessoas na região. Parte dessa população passou a receber água de outros sistemas.

Situação preocupante

Apesar de o governo não precisar recorrer mais ao volume morto do Cantareira a partir de hoje, a situação do abastecimento de água na Grande São Paulo ainda é considerada crítica em comparação com o cenário de dois anos atrás. No fim de dezembro de 2013, quando surgiram os primeiros sinais da crise hídrica, o nível do Cantareira era de 27,5% do volume útil, sem contar com nenhuma cota do volume morto.

Pedro Luiz Côrtes, geólogo, especialista em gestão de recursos hídricos e professor da USP (Universidade de São Paulo) e da Uninove (Universidade Nove de Julho), alerta para o risco de o Cantareira voltar ao volume morto no próximo ano. “O prognóstico para este verão é de acúmulo de água no positivo, mas [o índice] não deve chegar aos 35% por volta do mês de abril, [percentual] que seria suficiente para nos livrar em 2016 de voltar ao volume morto”, afirma. Côrtes explica que a população abastecida pelo Cantareira consome, em uma situação normal, entre 30% e 35% do volume de água durante o período de estiagem, entre abril e outubro. (Uol)

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